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Investimentos

Tesouro Direto ou CDB: qual rende mais (com simulações de R$ 1 mil a R$ 500 mil)

Comparativo honesto entre Tesouro Direto e CDB em 2026: tributação idêntica, simulações em 4 valores, 5 cenários por perfil, erros comuns e o veredito de quando cada um vence.

Atualizado em maio de 2026 · Selic em 14,50% a.a. Conteúdo educativo, sem recomendação personalizada de investimento. Consulte um profissional habilitado para decisões sobre o seu patrimônio.

Se você está com R$ 5 mil, R$ 50 mil ou R$ 500 mil parados na conta do banco e na dúvida entre Tesouro Direto e CDB, a resposta honesta é: os dois entregam o mesmo objetivo (renda fixa segura), mas com diferenças que importam quando o valor cresce, o prazo muda ou a liquidez vira fator decisivo. A escolha errada não te quebra — mas pode custar de R$ 600 a R$ 6.000 por ano em dinheiro deixado na mesa, dependendo do tamanho da conta.

Este artigo destrincha os dois produtos no nível de detalhe que o gerente do banco geralmente não destrincha: tributação real, simulações em quatro valores diferentes (R$ 1 mil a R$ 500 mil), cinco cenários de decisão por perfil de investidor, três erros comuns que custam caro e o veredito de quando cada um é a melhor escolha objetiva — não a “ideal pra você”, a melhor.

Resposta direta: o resumo em uma tabela

SituaçãoMelhor escolhaPor quê
Reserva de emergência até R$ 50 milCDB 110%+ CDI com liquidez diária OU Tesouro SelicEmpate técnico no rendimento; CDB ganha alguns reais, Tesouro ganha em simplicidade
Patrimônio acima de R$ 250 mil em uma corretoraTesouro Selic (excedente)FGC só cobre R$ 250 mil por CPF por instituição. Tesouro tem garantia ilimitada
Objetivo de médio prazo com data definida (2-5 anos)CDB prefixado de banco médio OU Tesouro PrefixadoTrava taxa hoje; CDB de banco médio costuma ter spread maior
Proteção contra inflação de longo prazo (5-15 anos)Tesouro IPCA+Garante juro real acima do IPCA até o vencimento; CDB IPCA+ raramente bate
Aporte mensal pequeno (a partir de R$ 100/mês)Tesouro SelicCompra fracionada a partir de R$ 30; CDB exige aplicação mínima por operação
Quer simplicidade e tem conta na corretoraTesouro DiretoUm emissor, uma plataforma, garantia do governo federal

Se a sua dúvida está entre essas linhas, a tabela já resolveu. Quem quiser entender o porquê e fazer a conta na própria carteira segue daqui pra baixo.

Os dois produtos em uma frase cada

Tesouro Direto é você emprestar dinheiro ao Governo Federal e receber juros em troca, com a garantia de que o governo pode emitir moeda para te pagar — é o investimento de menor risco de crédito do Brasil.

CDB (Certificado de Depósito Bancário) é você emprestar dinheiro a um banco e receber juros em troca, com a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira em caso de quebra.

O resto da diferença — tributação, liquidez, taxas, rendimento — é o que esse artigo abre nos próximos blocos.

Os três tipos de Tesouro que importam

  • Tesouro Selic (LFT): pós-fixado, rende a Selic. Preço nunca cai — não tem marcação a mercado. É o substituto natural da poupança e da reserva de emergência. Vencimento longo (2029 e 2031), mas você pode resgatar qualquer dia útil sem perder rendimento.
  • Tesouro Prefixado (LTN/NTN-F): taxa fixa travada na compra (ex.: 14,80% a.a. para 2031). Se a Selic cair, você ganha; se subir, o preço atual cai e você pode ter perda se vender antes do vencimento. No vencimento, recebe exatamente o combinado.
  • Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal e NTN-B com cupons): rende inflação (IPCA) mais um juro real prefixado (ex.: IPCA + 7,30% a.a. para 2035). Protege o poder de compra. Mesma lógica de oscilação de preço do prefixado se vender antes.

As três modalidades de CDB que importam

  • CDB pós-fixado (% do CDI): a esmagadora maioria. O CDI fica colado na Selic (geralmente 0,10 ponto percentual abaixo). Encontrado de 80% do CDI (banco grande, péssimo) até 130% do CDI (banco pequeno, com carência longa).
  • CDB prefixado: taxa fixa na emissão. Sem oscilação de preço — você sempre recebe o combinado no vencimento. Se for de liquidez diária, dá pra resgatar antes, mas geralmente só os pós-fixados oferecem isso.
  • CDB IPCA+: IPCA mais spread fixo. Usado para metas de longo prazo. Spreads geralmente menores que os do Tesouro IPCA+ equivalente — exceção rara em bancos médios fora de período de captação agressiva.

Tributação: idêntica nos dois

Esse é o ponto onde muito vendedor de produto financeiro tenta confundir. Não há diferença de IR entre CDB e Tesouro Direto. A tabela é exatamente a mesma — a regressiva da Receita Federal aplicada sobre o rendimento (não sobre o capital):

Prazo do investimentoAlíquota de IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

O imposto é retido na fonte no momento do resgate. Você recebe o líquido na conta. Sem declaração separada, sem DARF — só lança em Bens e Direitos no IR anual (códigos 45 para Tesouro e 41 para CDB), ainda assim apenas a posição em 31/12.

Há também IOF regressivo nos primeiros 30 dias — começa em 96% no dia 1 e cai a zero no dia 30. Resumindo: nunca aplique em CDB ou Tesouro dinheiro que você pode precisar em menos de 30 dias. Para esse prazo, conta digital remunerada (Nubank, Inter, C6, PicPay rendendo 100% do CDI) é melhor — não tem IOF e tem liquidez instantânea.

A vantagem fiscal real só aparece em LCI, LCA, LCD, debêntures incentivadas e LIG, isentos de IR para pessoa física. Esses entram na conversa só quando o rendimento líquido bate o do CDB tributado equivalente — assunto destrinchado no comparativo dos quatro produtos juntos (Tesouro × CDB × LCI × LCA).

Quanto rende, na prática, em quatro valores

Comparações em percentual ajudam pouco. O que importa é o dinheiro que cai na conta. Simulação com Selic em 14,50% (CDI ~14,40%), prazo de 24 meses, IR de 15% (faixa acima de 720 dias):

R$ 1.000 investidos por 24 meses

ProdutoBruto finalIR pagoLíquido finalGanho líquido
Tesouro SelicR$ 1.314,30R$ 47,15R$ 1.267,15R$ 267,15
CDB 100% CDI (banco grande)R$ 1.314,30R$ 47,15R$ 1.267,15R$ 267,15
CDB 110% CDI (banco médio)R$ 1.348,30R$ 52,25R$ 1.296,05R$ 296,05
CDB 120% CDI (banco pequeno)R$ 1.382,90R$ 57,44R$ 1.325,46R$ 325,46

Diferença prática: R$ 58 em dois anos entre o pior CDB e o melhor. Em valores pequenos, a escolha entre Tesouro e CDB importa muito menos que o hábito de aportar todo mês.

R$ 10.000 investidos por 24 meses

ProdutoBruto finalIR pagoLíquido finalGanho líquido
Tesouro SelicR$ 13.143,02R$ 471,45R$ 12.671,57R$ 2.671,57
CDB 110% CDIR$ 13.483,18R$ 522,48R$ 12.960,70R$ 2.960,70
CDB 120% CDIR$ 13.829,07R$ 574,36R$ 13.254,71R$ 3.254,71

Diferença prática: cerca de R$ 583 em dois anos entre Tesouro Selic e CDB 120%. Já dá pra cobrir um ano inteiro de mensalidade Netflix com a diferença de escolha de produto. Começa a fazer sentido pesquisar.

R$ 100.000 investidos por 24 meses

ProdutoBruto finalIR pagoLíquido finalGanho líquido
Tesouro SelicR$ 131.430R$ 4.715R$ 126.715R$ 26.715
CDB 110% CDIR$ 134.832R$ 5.225R$ 129.607R$ 29.607
CDB 120% CDIR$ 138.291R$ 5.744R$ 132.547R$ 32.547

Diferença de R$ 5.832 entre o pior e o melhor cenário em dois anos — quase um décimo terceiro inteiro. Aqui pesquisar e migrar para corretora vira obrigação financeira, não opção.

R$ 500.000 investidos por 24 meses

ProdutoBruto finalIR pagoLíquido finalGanho líquido
Tesouro Selic (sem limite de garantia)R$ 657.151R$ 23.573R$ 633.578R$ 133.578
CDB 110% CDI distribuído em 2 bancos*R$ 674.159R$ 26.124R$ 648.035R$ 148.035

*R$ 250 mil em cada banco para manter cobertura integral do FGC. Excedente sobre R$ 500 mil precisa de terceira instituição ou ir para Tesouro.

Para essa faixa, o ponto chave deixa de ser percentual de CDI e vira distribuição de risco: nenhum CPF deve concentrar mais de R$ 250 mil em um único emissor de CDB. Quem ignora essa regra está apostando que o banco médio escolhido não vai quebrar nos próximos 24 meses — aposta perdedora histórica em pelo menos uma dúzia de instituições brasileiras desde os anos 1990.

Para simulações personalizadas com a sua taxa, valor e prazo, use o Comparador de Renda Fixa e o Rendimento do CDI.

Liquidez: a diferença que decide na hora da emergência

Esse é o aspecto onde mais gente erra na escolha. Liquidez tem três níveis e nem todo CDB de “liquidez diária” entrega o que promete:

Tesouro Selic — D+1 garantido pelo Tesouro Nacional, todos os dias úteis, sem perda de rentabilidade. O preço do Tesouro Selic não cai. Você sempre recebe o valor proporcional aos dias investidos. Se aplicou R$ 50 mil hoje e precisar daqui a 7 dias, recebe os R$ 50 mil mais 7 dias de Selic líquidos do IR. Sem letra miúda.

CDB com liquidez diária verdadeira — disponível em alguns CDBs de bancos médios via corretora (Sofisa Direto, ABC, Daycoval, Pine, Original) ou conta digital remunerada (Nubank Caixinha Turbinada, Inter Win, C6 Tesouro). Resgate D+0 ou D+1 sem carência, mantendo a taxa contratada.

CDB com vencimento curto (não confundir com liquidez diária) — vence em 90, 180 ou 360 dias. Você só recebe no vencimento. Se precisar antes, está preso. Bancos vendem isso descrevendo como “curto prazo” — vendedor competente fala “vencimento em 6 meses, sem liquidez antecipada”, o competente médio só fala “curto prazo” e deixa a impressão errada.

CDB com carência — pode ter resgate liberado depois de 30, 90 ou 180 dias. Antes disso, dinheiro preso. Esses CDBs costumam pagar mais (115-130% CDI) justamente porque tomam a sua liquidez. Vale para reserva de objetivo (não emergência), nunca para reserva de emergência.

Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ — liquidez diária existe, mas com risco de preço. Se a Selic subiu desde a sua compra, o preço do título atual caiu — você pode resgatar com perda. Apenas no vencimento o rendimento contratado é garantido. Não use Tesouro Prefixado ou IPCA+ para reserva de emergência.

Segurança: o nó dos R$ 250 mil

O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) cobre até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira, com teto global de R$ 1 milhão a cada 4 anos. A cobertura abrange CDB, LCI, LCA, LCD, conta-corrente, poupança e LH — não cobre debêntures, fundos, ações, FIIs, criptomoedas nem produtos do exterior.

Para até R$ 250 mil em CDB de qualquer banco autorizado a operar no Brasil, o risco efetivo é o mesmo do Tesouro: governo. A diferença é o tempo de pagamento — o FGC tem até 60 dias úteis para pagar; o Tesouro Selic você resgata D+1.

Para valores acima de R$ 250 mil em uma única instituição, o Tesouro Selic é objetivamente superior. A garantia do governo é ilimitada, sem teto, sem espera. Quem mantém R$ 1 milhão em CDB de um banco médio único está concentrando risco sem necessidade.

Estratégia padrão para patrimônios médios: até R$ 250 mil em CDB de banco médio (rendimento maior), excedente em Tesouro Selic. Para patrimônios grandes: distribuição em 3-4 bancos (mantendo cada um abaixo de R$ 250 mil) e Tesouro Selic como núcleo.

Onde encontrar CDB pagando 110%+ CDI

Os bancos grandes (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil) raramente passam de 100% do CDI nos CDBs oferecidos diretamente ao cliente — quem aceita está pagando uma taxa de comodidade. Para acessar 110-130% do CDI, é preciso ir às plataformas de corretoras ou bancos médios diretos:

  • XP, Rico, Clear: marketplace com CDBs de dezenas de bancos médios. Filtro por liquidez, prazo e taxa.
  • BTG Pactual Digital: CDBs próprios competitivos e de terceiros.
  • Inter Invest: 400+ produtos de renda fixa, incluindo CDBs de múltiplos emissores.
  • Banco Sofisa Direto: CDBs próprios com liquidez diária pagando 110-115% CDI sem fricção.
  • BMG, ABC Brasil, Daycoval, Pine, Original, Agibank: bancos médios que emitem CDBs próprios competitivos via app ou corretora.

Critério para escolher banco médio: rating de crédito (preferir AA- ou superior pela S&P/Fitch/Moody’s), tempo de mercado e Patrimônio Líquido informado no balanço público.

O Tesouro Direto, em compensação, fica disponível em qualquer corretora habilitada — XP, BTG, Rico, Inter, NuInvest, Mercado Pago Investimentos, Easynvest, Modal etc. A taxa do Tesouro Direto é uniforme em qualquer corretora, mas há taxa de custódia da B3 de 0,20% a.a. sobre o saldo investido acima de R$ 10 mil. Saldo abaixo de R$ 10 mil em Tesouro Selic está isento.

Cinco cenários de decisão por perfil

Cenário 1 · trabalhador iniciante com R$ 5 mil pra começar

Tesouro Selic via corretora gratuita (NuInvest, Inter, Rico, Clear). Sem complicação, sem taxa de custódia (saldo abaixo de R$ 10 mil), liquidez D+1, taxa de Selic cheia. Quando o saldo passar de R$ 10 mil, avaliar migração parcial para CDB 110%+ CDI de banco médio na mesma corretora.

Cenário 2 · trabalhador estabelecido com R$ 50 mil de reserva de emergência

CDB de banco médio com liquidez diária pagando 110-115% do CDI. Sofisa Direto, BMG ou marketplace XP/Rico/Clear/BTG. Garante rendimento melhor que o Tesouro Selic com mesma cobertura efetiva (FGC) e liquidez similar. Mantém abaixo dos R$ 250 mil de cobertura por instituição com folga.

Cenário 3 · Autônomo com 6 meses de gasto guardado (R$ 80 mil)

Mesma escolha do cenário 2 — CDB de banco médio liquidez diária. Para autônomo, o pulo de liquidez D+1 vs D+0 importa pouco; o que importa é não estar em produto com carência ou marcação a mercado. Se preferir simplicidade absoluta, Tesouro Selic resolve.

Cenário 4 · Herança ou venda de imóvel — R$ 600 mil pra acomodar

Distribuição obrigatória. Opções:

  • R$ 250 mil em CDB de banco médio A + R$ 250 mil em banco médio B + R$ 100 mil em Tesouro Selic.
  • R$ 200 mil em Tesouro Selic + R$ 250 mil em CDB de banco médio + R$ 150 mil em LCI/LCA isenta de IR.
  • Para quem ainda não decidiu o destino final do dinheiro: 100% Tesouro Selic enquanto define alocação.

Cenário 5 · Aposentado vivendo de renda — R$ 1 milhão a R$ 5 milhões

Distribuição em 4-5 bancos médios (cada um com até R$ 250 mil em CDB) e o restante em Tesouro Selic e Tesouro IPCA+ (proteção do poder de compra contra inflação por 10-15 anos). Para essa faixa, vale o custo de uma consultoria financeira independente — não vinculada a produto — para desenhar a alocação considerando saques mensais, sucessão e otimização tributária.

Três erros comuns que custam dinheiro

1. Aceitar 90% do CDI no CDB do gerente sem comparar. O banco grande vende CDB ao correntista a 80-95% do CDI; o mesmo cliente, abrindo conta numa corretora em 15 minutos, encontra CDBs de 110-120% do CDI com liquidez diária e cobertura idêntica do FGC. A diferença é dinheiro perdido por inércia.

2. Confundir “vencimento curto” com “liquidez diária”. CDB com vencimento em 90 dias e CDB com liquidez diária são coisas distintas. O primeiro prende seu dinheiro até a data; o segundo permite resgate a qualquer momento. Pra reserva de emergência, só liquidez diária.

3. Manter mais de R$ 250 mil em uma única instituição. Vale tanto para CDB quanto para LCI/LCA. O FGC cobre até esse teto por CPF por instituição. Acima disso, está apostando na solvência do banco. Distribuir entre 2-4 bancos não é paranoia — é gestão básica de risco.

Veredito: qual escolher em 2026

Para a esmagadora maioria dos investidores brasileiros — CLTs com até R$ 250 mil para alocar em renda fixa — CDB de banco médio com liquidez diária pagando 110%+ do CDI vence o Tesouro Selic no rendimento líquido com garantia equivalente. A diferença anual está entre R$ 600 e R$ 6.000 dependendo do valor; ao longo de uma década, vira o preço de um carro popular.

Para patrimônios acima de R$ 250 mil em uma única instituição, ou para quem prioriza simplicidade absoluta e não quer se preocupar com tetos de FGC, Tesouro Selic é a escolha objetivamente superior. Garantia ilimitada do governo federal, liquidez D+1 sem letra miúda, sem necessidade de avaliar rating de banco, sem distribuição entre instituições.

Para metas de longo prazo (5+ anos) com proteção contra inflação, Tesouro IPCA+ é a referência — CDB IPCA+ de banco médio raramente paga spread superior ao do Tesouro equivalente.

A verdade nada glamorosa é que essa não é uma escolha mutuamente exclusiva. A carteira de renda fixa madura tem os dois: Tesouro Selic como base de segurança e simplicidade, CDBs de banco médio para maximizar rendimento dentro do FGC, Tesouro IPCA+ para o longo prazo. Quem fica fixado em escolher um único produto está se autolimitando por uma falsa dicotomia.

Como montar a carteira de renda fixa em camadas

Modelo prático aplicável da reserva de emergência ao patrimônio de longo prazo:

  • Camada 1 — Liquidez instantânea (até 1 mês de gasto): conta digital remunerada (Nubank Caixinha Turbinada, Inter Win, C6 Tesouro) rendendo 100% do CDI sem IOF, resgate D+0.
  • Camada 2 — Reserva de emergência (3-6 meses de gasto): CDB de banco médio com liquidez diária a 110-115% CDI ou Tesouro Selic via corretora.
  • Camada 3 — Objetivos de médio prazo (1-3 anos): LCI/LCA isentas de IR (verificar equivalência líquida vs CDB) ou CDB prefixado se houver convicção sobre direção da Selic.
  • Camada 4 — Proteção inflacionária de longo prazo (5-15 anos): Tesouro IPCA+ NTN-B Principal com vencimento alinhado à meta (aposentadoria, faculdade do filho, troca de imóvel).
  • Camada 5 — Maximização dentro do FGC: CDBs de bancos médios distribuídos em 3-4 instituições, mantendo cada uma abaixo de R$ 250 mil, com prazos escalonados.

Perguntas frequentes

CDB de banco pequeno é seguro?

Para valores até R$ 250 mil por CPF por instituição, o risco efetivo é nivelado pelo FGC — banco pequeno tem o mesmo nível de cobertura que banco grande. O risco diferencial está na velocidade de pagamento (FGC pode levar até 60 dias úteis em caso de quebra) e na concentração — não distribua tudo num único banco médio. Para valores acima do teto do FGC em uma instituição, prefira Tesouro Selic ou distribua entre múltiplos bancos.

O Tesouro Direto cobra alguma taxa?

Sim, taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o saldo investido acima de R$ 10 mil em qualquer título do Tesouro. Saldo até R$ 10 mil em Tesouro Selic é isento dessa taxa. Algumas corretoras cobravam taxa adicional de administração — quase todas zeraram. Vale verificar antes de investir. Para CDB, não há taxa de custódia ou administração — apenas o IR no resgate e eventual IOF se sair antes de 30 dias.

Posso perder dinheiro no Tesouro Direto?

No Tesouro Selic, não — o preço não cai e o rendimento é proporcional ao tempo investido. No Tesouro Prefixado e no Tesouro IPCA+, sim, se você resgatar antes do vencimento e os juros de mercado tiverem subido desde a compra (o preço do título cai quando os juros sobem). Levado até o vencimento, o rendimento contratado é sempre garantido — perda só ocorre em resgate antecipado em momento ruim.

LCI e LCA rendem mais que CDB?

Depende da equivalência líquida. LCI e LCA são isentas de IR para pessoa física. Comparação correta é sempre líquida: CDB 110% do CDI tributado a 15% (prazo 720+ dias) equivale a aproximadamente 93,5% do CDI líquido. Se a LCI/LCA está pagando mais que isso (digamos, 95% do CDI isenta), vence. Se está pagando menos (88%), perde. Para prazos curtos (até 180 dias), a diferença muda — IR é 22,5%, vantagem da isenção é maior.

Em qual deles é mais fácil para começar do zero?

Tesouro Direto. Você abre conta numa corretora gratuita (NuInvest, Inter, Rico, Clear, Mercado Pago Investimentos), transfere via Pix e compra fração de título a partir de R$ 30. Sem precisar avaliar emissor, sem comparar taxas entre dezenas de produtos. Para quem está fazendo a primeira aplicação de renda fixa fora da poupança, Tesouro Selic é o caminho de menor fricção. CDB exige uma escolha a mais (qual emissor, qual taxa, com ou sem liquidez), o que aumenta a chance de paralisia decisória.

O CDI vai cair em 2026?

O Banco Central decidiu manter a Selic em 14,50% nas últimas reuniões do COPOM e a expectativa de mercado (Boletim Focus) aponta para queda gradual a partir do segundo semestre, podendo fechar 2026 entre 12% e 13,5%. Isso afeta o rendimento de pós-fixados (CDB % CDI e Tesouro Selic) — mas mantém o atrativo dos prefixados travados nas taxas atuais. Quem quer fixar 14%+ ao ano por anos agora tem a janela aberta no Tesouro Prefixado e em CDBs prefixados de banco médio.

Próximos passos na trilha

Este artigo é parte da Trilha Renda Fixa 2026. Próximas leituras na sequência:

Para colocar números na sua situação real:

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