Atualizado em maio de 2026 · Selic em 14,50% a.a. · CDI em ~14,40% a.a. Conteúdo educativo, sem recomendação personalizada, sem patrocínio dos bancos citados e sem afiliação. Tarifas, taxas de maquininha e regras de crédito refletem a consulta de maio de 2026 nos sites oficiais e podem mudar sem aviso. Antes de migrar a conta principal da empresa, confirme as tarifas vigentes na página do banco escolhido.
Resposta direta
| Pergunta | Resposta honesta |
|---|---|
| MEI precisa de conta PJ obrigatoriamente? | Legalmente não. Operacionalmente sim — a partir do primeiro pagamento. Misturar PF e PJ é o erro mais caro de novos empreendedores. |
| Melhor conta PJ gratuita para MEI prestador de serviço? | Inter Empresas ou Cora. Inter para quem quer plataforma completa com investimento integrado; Cora para quem quer só conta + cobrança simples. |
| Melhor conta PJ para empresa com receita ≥ R$ 200k/ano e gestão fiscal complexa? | Conta Simples ou BTG Empresas (gratuitas com mais ferramenta) — ou Conta Azul (paga) quando a empresa precisa de ERP integrado. |
| Maquininha de cartão importa na escolha? | Sim para comércio físico. Stone, Inter Pag e Mercado Pago repassam direto para conta da própria casa, evitando antecipação. |
| Vale ter mais de uma conta PJ? | Frequentemente sim — Inter ou Cora como conta principal + Stone para maquininha + Conta Simples para gestão. Mas não exagere: 2 contas bem organizadas batem 4 mal usadas. |
| Saldo PJ rende automaticamente? | Em Inter, Cora, BTG, Mercado Pago e C6 PJ, sim — 100–105% do CDI. Em conta tradicional (Itaú, Bradesco) e em algumas digitais focadas em ERP, não. |
Por que separar PJ da PF desde o primeiro real recebido
Misturar finanças pessoais e empresariais é o erro mais comum de novos empreendedores — e um dos mais custosos no longo prazo. As consequências são práticas e imediatas:
- Apuração fiscal imprecisa. Sem fluxo separado, a declaração anual do MEI (DASN-SIMEI) e a apuração mensal do Simples Nacional viram chute. Para PJ no Lucro Presumido ou Real, o erro vira autuação.
- Lucro real invisível. Você não consegue saber se o negócio dá lucro ou se você está bancando despesas da empresa com dinheiro pessoal — situação tão comum que muitos MEIs descobrem depois de anos que estavam operando no prejuízo financiado pela conta de salário.
- Crédito PJ inviável. Bancos exigem extrato PJ com 6 a 12 meses de movimentação para aprovar capital de giro, antecipação de recebíveis ou financiamento de equipamento. Sem extrato, sem crédito.
- Risco fiscal direto. Receita Federal pode questionar movimentação na conta pessoal como receita não declarada do negócio. A separação clara é a primeira linha de defesa em fiscalização.
- Imagem profissional fragilizada. Cliente PJ ou fornecedor que recebe pagamento de pessoa física desconfia da estrutura. O cliente sério paga PJ, espera receber PJ e quer nota fiscal de quem opera como empresa.
- Personal e profissional contaminados emocionalmente. Tirar “pró-labore” consciente é diferente de gastar conforme a empresa fatura. A primeira atitude protege a saúde financeira do negócio; a segunda destrói nos primeiros anos.
A boa notícia: abrir conta PJ digital em 2026 leva 5 a 15 minutos pelo celular. As melhores opções são gratuitas. Não há mais desculpa operacional para postergar.
“Meu contador disse que MEI tem que ter conta PJ” — verdade ou mito?
Há ambiguidade comum aqui. Legalmente, o Estatuto do MEI não obriga conta bancária separada. Para MEI, é teoricamente possível operar com conta PF, desde que toda movimentação esteja documentada e separada da renda pessoal.
Na prática, três coisas tornam a conta PJ separada quase obrigatória mesmo para o MEI:
- Recebimento via Pix com chave CNPJ. A maioria dos clientes PJ exige pagar a CNPJ — chave Pix vinculada ao CNPJ exige conta PJ.
- Maquininha de cartão. Stone, Cielo, PagSeguro, Mercado Pago etc. operam com cadastro CNPJ e repasse para conta CNPJ. Operar maquininha sem conta PJ obriga repasses para PF, e a Receita repõe automaticamente esse valor como rendimento tributável de PF.
- Emissão de Nota Fiscal eletrônica. Praticamente todas as plataformas de NF-e e NFS-e exigem conta PJ para integração de cobrança e conciliação automática.
O resultado: contadores não dizem “a lei obriga”. Dizem “na operação, você vai precisar”. Os dois estão certos. Para MEI moderno, conta PJ é prática operacional — não exigência legal. Mas a conta PJ digital gratuita resolve tudo isso por R$ 0 de custo, então o debate jurídico vira inútil.
O que avaliar em uma conta PJ em 2026
- Mensalidade: gratuita (Inter, Cora, Nubank PJ, C6 PJ, BTG Empresas, Mercado Pago, Stone, Conta Simples) ou paga (Conta Azul, Sicoob/Sicredi, Itaú PJ, Bradesco PJ).
- Pix empresarial: ilimitado e gratuito é o esperado em 2026. Banco que cobra Pix PJ está fora da curva — desconfie.
- TED e DOC: grátis ou tarifados. Para empresas que ainda recebem TED (eventos, governo, alguns clientes corporativos), o custo unitário pode pesar.
- Boleto bancário: emissão grátis ou cobrada por boleto emitido (R$ 1,90 a R$ 4,90 nos digitais). Crítico para quem vende a prazo ou cobra mensalidade.
- Cartão corporativo: débito (todos oferecem) e crédito (Inter, BTG, Itaú, Bradesco, Stone). Limite e cashback variam.
- Maquininha integrada: taxas por bandeira e prazo de repasse — pode definir a escolha do banco para comércio físico.
- Rendimento automático do saldo parado: 100% do CDI ou mais (Inter, Cora, BTG, Mercado Pago, C6 PJ, Nubank PJ, Stone) — diferença gigante para quem mantém saldo de capital de giro na conta.
- Crédito PJ: capital de giro e antecipação de recebíveis. Critério mais relevante para empresas em crescimento.
- Integração com NF-e/NFS-e e ERP: Conta Simples e Conta Azul brilham aqui. Inter Empresas e BTG têm integração via API com ERPs grandes.
- Atendimento humano: chat 24h é padrão. Para empresa em crise (cliente atrasou, fluxo apertou, tributação confusa), telefone com gente que entende vale mensalidade.
- Reputação e robustez: conta PJ instável é catástrofe — pagamento que não cai derruba a operação. Bancos com 5+ anos de operação PJ têm vantagem clara sobre estreantes.
Comparativo direto das principais contas PJ em 2026
| Conta | Mensalidade | Pix PJ | Boleto | Saldo rende | Maquininha | Crédito PJ |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Inter Empresas | Gratuita | Ilimitado/grátis | Gratuito | 100% CDI auto | Inter Pag | Forte (capital de giro + antecipação) |
| Cora | Gratuita | Ilimitado/grátis | Gratuito (50/mês) então R$ 1,90 | 100% CDI auto (carteira pré-aprovada) | Não tem própria | Antecipação de boletos |
| Conta Simples | Gratuita | Ilimitado/grátis | Gratuito | 100% CDI auto | Não tem própria (parceria) | Cartão corporativo + gestão de despesas |
| BTG Empresas | Gratuita | Ilimitado/grátis | Gratuito (limites) | 100% CDI auto | Não tem própria | Forte (porte médio em diante) |
| Banco Original PJ | Gratuita | Ilimitado/grátis | Gratuito (limites) | 100% CDI auto | Stone parceira | Linha digital direta |
| Nubank PJ | Gratuita | Ilimitado/grátis | Gratuito | 100% CDI auto | NuTap (celular) | Cartão; capital de giro limitado |
| C6 Bank PJ | Gratuita | Ilimitado/grátis | Gratuito | 100% CDI auto | Sim (própria) | Crédito + financiamento equip. |
| Mercado Pago PJ | Gratuita | Ilimitado/grátis | Gratuito | 105% CDI auto | Point | Crédito ML + antecipação cartão |
| Stone Conta | Gratuita | Ilimitado/grátis | Gratuito | 100% CDI auto | Stone (própria) | Capital de giro Stone |
| Conta Azul | R$ 69–299/mês | Ilimitado/grátis | Incluído | Não rende | Não tem | — |
| Sicoob/Sicredi | R$ 30–80/mês | Ilimitado/grátis | Incluído | Não rende | Parceria | BNDES e linhas subsidiadas (cooperativa) |
Tarifas e taxas refletem consulta de maio de 2026. Confirme antes de migrar.
Inter Empresas — a conta PJ gratuita mais completa do mercado
O Inter Empresas é a conta PJ digital mais completa disponível gratuitamente em 2026. Sem mensalidade, com Pix ilimitado, TED e DOC grátis, boleto sem custo e saldo rendendo 100% do CDI automaticamente — significa que o capital parado de giro rende ~14,4% a.a. sem qualquer ação.
O que o Inter entrega além da conta:
- Capital de giro: linha pré-aprovada para empresa com 6+ meses de movimentação consistente — frequentemente sem garantia adicional.
- Antecipação de recebíveis de cartão (via Inter Pag) e de boletos a receber, com taxas competitivas.
- Inter Pag (maquininha): débito a 0,75%, crédito à vista a 2,19% (consulta maio/2026 — confirme). Para quem usa Inter Empresas + Inter Pag, repasse vai direto para conta sem antecipação.
- Cartão corporativo Mastercard: limite separado da PF, controle por centros de custo, faturas em PDF para conciliação.
- 400+ produtos de investimento: Tesouro, CDBs, fundos, FIIs — saldo excedente vira aplicação sem sair da plataforma. Para empresa que mantém reserva tática operacional, é fundamental.
- Folha de pagamento integrada: processamento de salário e DARF para empresa com CLTs.
- Câmbio e múltiplas moedas: Inter Empresas oferece conta multi-moeda, útil para freelancer e prestador internacional.
Para quem: MEI que quer plataforma completa para crescer junto, ME/EPP com fluxo de caixa mais sofisticado, qualquer negócio que quer centralizar conta + investimento + maquininha + crédito em um lugar só.
Limitação real: ocasionais lentidões em horários de pico (mais comum em fim de mês) e suporte por chat com tempo de resposta variando de 5 minutos a 1 hora. Robustez geralmente excelente, mas não infalível.
Cora — conta PJ digital nascida focada em pequeno negócio
A Cora foi construída do zero para o MEI e o pequeno empresário, sem o legado de banco tradicional ou banco digital de PF transformado em PJ. Resultado: experiência de uso mais limpa, fluxo de cobrança polido, foco em quem fatura R$ 50k a R$ 1 milhão por ano.
Diferenciais:
- Cobrança e gestão de boletos polida — interface de envio, lembrete automático e baixa via Pix são consideravelmente mais fluidas que em bancos generalistas. Para prestador de serviço que cobra mensalidade ou avulso recorrente, faz diferença real.
- Pix recorrente e link de pagamento nativos — útil para infoprodutor, escola, consultoria, mensalista.
- 50 boletos gratuitos por mês em planos básicos; acima disso, R$ 1,90 por boleto (consulta maio/2026).
- Saldo rende 100% do CDI em conta-investimento integrada para clientes elegíveis.
- Capital de giro com base na movimentação histórica e antecipação de recebíveis.
- Plataforma de gestão de cobrança separada da conta — útil mesmo para quem mantém conta principal em outro banco.
Limitação: não tem maquininha física própria. Para comércio físico que depende de cartão presencial, Cora isolada não resolve — precisa parear com Stone ou Inter Pag.
Para quem: MEI prestador de serviço, profissional liberal que cobra mensalidade ou contrato recorrente, infoprodutor, agência pequena, pequeno e-commerce que vende via link de pagamento.
Conta Simples — controle de despesas corporativo de baixo custo
Conta Simples é o player mais voltado para gestão de despesas em times pequenos e médios. Diferente de banco digital tradicional, o foco não é cobrança ou crédito — é o controle de quem gasta o quê na empresa.
Diferenciais:
- Cartões corporativos virtuais ilimitados com limite individual por colaborador, fornecedor ou centro de custo. Para empresa com 3 ou mais pessoas que usam dinheiro da empresa, transforma a gestão.
- Workflow de aprovação de despesa: colaborador submete a despesa, gestor aprova, conciliação contábil automática. Em time de 5 a 30 pessoas, economiza 5–10 horas mensais de tarefa administrativa.
- Conta corrente com Pix, TED e boleto gratuitos — funciona como conta principal ou como conta secundária só para despesas operacionais.
- Saldo rende 100% do CDI automaticamente.
- Integração com ERPs (Omie, ContaAzul, Conta Azul, RD Station, e outros).
Limitação: não tem crédito PJ próprio robusto, não tem maquininha. É plataforma de gestão de despesa primeiro, conta bancária segundo.
Para quem: agência, startup, software house, consultoria — empresa de até 50 pessoas que precisa controlar despesas de marketing, viagem e fornecedor com governança maior que “cartão da diretora pra todo mundo usar”.
BTG Empresas — banco grande que opera como digital para PJ médio
O BTG Pactual lançou a operação digital para PJ no fim dos anos 2010 e em 2026 é referência para empresas de porte médio (faturamento R$ 1 milhão a R$ 50 milhões/ano) que querem o que banco grande oferece sem a tarifa de conta corrente.
Diferenciais:
- Mesa de crédito real: empresa com balanço apresentado e relacionamento minimamente construído consegue crédito PJ via gerente — não só score automático. Para porte médio, isso vira diferença concreta no funding.
- Câmbio competitivo para empresas que importam, exportam ou operam serviços internacionais.
- Investimento PJ profissional: mesa de assessoria para tesouraria, derivativos para hedge cambial, fundos exclusivos para empresa com volume.
- Conta gratuita com Pix, TED e boleto sem custo, saldo rendendo 100% do CDI automático.
- API para integração corporativa com ERP/TMS — útil quando o financeiro da empresa precisa automatizar conciliação e pagamentos em massa.
Limitação para o pequeno: empresa muito pequena (faturamento menor que R$ 500k/ano) não vai aproveitar a estrutura — fica subutilizando o que o banco oferece. Para o MEI solo, é overkill.
Para quem: ME e EPP saindo do digital generalista para profissionalizar tesouraria, empresa com necessidade de câmbio, importadores e exportadores, prestador de serviço internacional.
Banco Original PJ — abordagem mais tradicional, agora 100% digital
O Original foi um dos primeiros bancos full-digital do Brasil e hoje opera com posicionamento que mistura banco tradicional (mesa de produto, gerente, atendimento humano) com agilidade digital. A conta PJ é gratuita, o Pix é ilimitado, o boleto é gratuito (com limites mensais) e o saldo rende automaticamente.
Diferenciais:
- Atendimento humano por gerente designado em planos de relacionamento — diferente de banco digital que opera só com chat.
- Crédito PJ direto via mesa com análise customizada, não só score.
- Parceria forte com Stone para maquininha — repasse na hora para conta Original.
- Investimento integrado com taxas competitivas e produtos exclusivos.
Limitação: volume operacional menor que Inter ou Nubank PJ — alguns recursos (cartão virtual ilimitado, integração com ferramentas modernas) ficam atrás dos concorrentes mais recentes.
Para quem: ME que quer banco digital sem perder o “sentir que tem gerente”, empresa familiar que valoriza atendimento por telefone, profissional liberal já bancarizado em banco tradicional buscando migração de baixa fricção.
Conta Azul — quando vale pagar mensalidade
A Conta Azul não é apenas conta bancária. É um sistema de gestão financeira (ERP leve para PME) com conta integrada. A mensalidade (R$ 69 a R$ 299/mês conforme plano e número de usuários, consulta maio/2026) inclui emissor de NFs, controle de fluxo de caixa projetado, conciliação bancária automática, gestão de cobranças, controle de estoque básico e relatórios gerenciais.
Para empresa que sem a Conta Azul precisaria contratar ERP separado (R$ 100–400/mês) + conta bancária + emissor de NF, o custo total da Conta Azul pode ser inferior ao da soma dessas peças.
Para quem vale: ME e EPP com operação mais complexa — múltiplos centros de custo, estoque para controlar, ≥ 30 NFs por mês, equipe de financeiro/contabilidade que precisa de relatórios. Especialmente útil para serviços profissionalizados, comércio com estoque e indústria leve.
Para quem não vale: MEI puro, profissional liberal solo com baixo volume de NF, empresa com operação simples. Para esses casos, conta Inter ou Cora gratuita + emissor de NF municipal grátis cobre tudo a custo zero.
Maquininha de cartão em 2026 — comparativo de taxas
| Solução | Débito | Crédito à vista | Crédito 12x | Repasse | Hardware |
|---|---|---|---|---|---|
| Inter Pag (com Inter Empresas) | 0,75% | 2,19% | ~13,5% para o vendedor | D+1 (na hora p/ conta Inter) | Aluguel grátis |
| Stone (com Stone Conta) | 0,95% | 2,49% | ~14% para o vendedor | Na hora | A partir de R$ 0 (modelo) |
| Mercado Pago Point | 0,89% | 2,99% | ~14,5% para o vendedor | D+14 (ou antecipado com taxa) | R$ 49–299 |
| Cielo Lio | ~1,29% | ~3,15% | ~14% para o vendedor | D+30 (padrão) ou antecipado | Aluguel mensal |
| SumUp | 1,25% | 2,90% | ~14% para o vendedor | D+3 | R$ 139 (única compra) |
| PagSeguro | 1,99% | 3,49% | ~15,5% para o vendedor | D+1 | R$ 119–459 |
| Nubank NuTap | 1,39% | 2,99% | ~15% para o vendedor | D+1 | Grátis (usa o celular) |
Taxas variam por bandeira (Visa, Master, Elo), tipo de comércio (MCC), volume mensal e contrato. Os valores acima são bandas típicas de 2026 — confirme proposta para o seu volume antes de fechar.
Regra de bolso para escolher maquininha
- Comércio com volume baixo e ocasional: Nubank NuTap (sem hardware) ou SumUp.
- Comércio físico com volume médio (R$ 30k–100k/mês em cartão): Inter Pag (se já tem Inter) ou Stone — repasse rápido faz diferença real no fluxo.
- Comércio com volume alto (R$ 100k+/mês): Stone com contrato negociado, ou parceria direta Cielo/Rede com taxas customizadas. Aí a banda da tabela vira piso de negociação.
- E-commerce que vende no Mercado Livre: Mercado Pago Point para presencial complementar — a integração com a plataforma é única.
Saldo PJ que rende automático — diferença real entre bancos
Esse é o critério que mais se subestima na escolha. Em 2026, com CDI em ~14,40% a.a., R$ 30.000 parados na conta podem render R$ 4.300/ano (R$ 360/mês) em banco que rende 100% do CDI automático — ou R$ 0 em banco tradicional onde saldo de conta corrente não rende. Em escala de uma vida operacional de 10–20 anos, é dezenas de milhares de reais perdidos por uma escolha subestimada.
Os bancos digitais que aplicam saldo automaticamente em CDB de liquidez diária (sem o cliente fazer nada):
- Mercado Pago PJ: 105% do CDI (recordista entre as gratuitas).
- Inter Empresas, Cora, BTG Empresas, Banco Original PJ, C6 Bank PJ, Nubank PJ, Stone Conta: 100% do CDI.
- Conta Simples: 100% do CDI em planos compatíveis.
- Conta Azul, Sicoob, Sicredi, Itaú PJ, Bradesco PJ tradicionais: não rendem. Saldo de capital de giro fica imobilizado em conta corrente sem retorno.
Quando vale aplicar manualmente em CDB ou Tesouro Selic em vez de deixar “100% CDI automático”?
Para saldos acima de R$ 50.000 que ficam parados por 6+ meses, vale comparar o produto da casa (geralmente CDB de liquidez D+0 a 100% do CDI) com:
- CDB pós-fixado de banco médio (BMG, Daycoval, Pine, Sofisa) com 110–115% do CDI e prazo 12–24 meses — paga R$ 240–500/ano a mais sobre R$ 50.000 que o automático.
- Tesouro Selic 2031 via mesa do próprio Inter ou BTG — rendimento similar ao CDB 100% do CDI mas com risco soberano (em vez de risco bancário FGC).
- LCI/LCA para PJ — taxas tipicamente 90% do CDI mas líquidas de IR para PF (pessoa jurídica não tem isenção, então perde o atrativo).
Para projetar o efeito do saldo rendendo automaticamente versus parado em conta sem rendimento, ao longo do crescimento natural do negócio, a calculadora de juros compostos da casa resolve em segundos.
Crédito PJ — o critério que separa bancos para empresa em crescimento
Conta PJ gratuita resolve o operacional. Mas à medida que a empresa cresce, a relevância do crédito PJ dispara. As principais linhas disponíveis em 2026:
- Capital de giro: Inter Empresas, BTG, Stone e Banco Original são os mais ágeis em aprovar para empresas com 6+ meses de movimentação consistente. Taxas variam de 1,8% a 3,5% ao mês conforme score, garantia e prazo.
- Antecipação de recebíveis de cartão: Stone (repasse na hora para conta Stone), Inter Pag e Mercado Pago oferecem antecipação com taxas de 1,3% a 3,5% ao mês.
- Antecipação de boletos a receber: Inter Empresas e Cora antecipam boletos emitidos contra clientes pagadores conhecidos, com taxas competitivas.
- Crédito subsidiado (BNDES, Finame): cooperativas Sicoob e Sicredi têm acesso a linhas que bancos digitais não distribuem. Para investimento em equipamento ou infraestrutura, pode valer a mensalidade da cooperativa.
- FGI (Fundo Garantidor de Investimentos): linha do BNDES com aval do FGI usada por digitais como Banco Original, BTG e Inter para PMEs sem garantia tradicional.
- Cartão BNDES: para microempresa que compra equipamento, insumo ou software de fornecedores cadastrados — juros mais baixos que crédito comum.
Estratégia recomendada por perfil de negócio
| Perfil de empresa | Conta principal | Conta complementar | Maquininha |
|---|---|---|---|
| MEI prestador de serviço (até R$ 81k/ano) | Cora ou Inter Empresas | — | Não precisa (Pix resolve) |
| MEI comércio físico | Stone Conta ou Inter Empresas | — | Inter Pag ou Stone |
| Profissional liberal (médico, advogado, arquiteto) | Inter Empresas | BTG (para investimento e câmbio) | Não precisa |
| Pequeno e-commerce / Mercado Livre | Mercado Pago PJ | Inter (para diversificar e investir) | Mercado Pago Point |
| ME com 3–10 funcionários | Inter Empresas ou Conta Simples | BTG (mesa de crédito) | Inter Pag ou Stone |
| ME/EPP com gestão fiscal complexa | Conta Azul (paga, com ERP integrado) | Inter (para investimento) | Conforme operação |
| Empresa com receita ≥ R$ 5M/ano | BTG Empresas (mesa real) | Banco grande tradicional para câmbio e folha | Cielo/Rede com contrato customizado |
| Importador / exportador | BTG Empresas | Inter (multi-moeda) | Não aplicável |
Erros comuns ao escolher conta PJ — e como evitar
- Escolher pelo cashback do cartão. Cashback de 0,5–1% sobre R$ 50k de gasto/ano dá R$ 250–500. A maquininha errada custa 1 ponto percentual a mais de taxa em R$ 100k de faturamento — R$ 1.000. Saldo que não rende custa centenas a milhares por ano. Cashback é critério terciário, não primário.
- Manter a mesma conta dos primeiros R$ 5k de faturamento até R$ 500k. O que serve para MEI solo não serve para empresa com 5 funcionários. Migrar custa um dia de trabalho — empresa que cresce e fica na mesma conta empresa pequeno deixa dinheiro na mesa todo mês.
- Não usar o saldo automaticamente investido. Banco oferece 100% do CDI auto e o empresário deixa em “conta” mesmo. Verifique se a opção está ativada no seu banco — em alguns, é opt-in.
- Subestimar atendimento. No primeiro problema sério (Pix bloqueado, fraude, cliente reclamando de boleto duplicado), atendimento ruim custa horas e às vezes dias de operação parada.
- Manter conta PJ “de backup” sem usar. Conta inativa convida fraude, complica o KYC quando você precisa reativar e às vezes vira tarifa retroativa. Se não usa, encerra.
- Misturar conta PJ com investimento pessoal. O CDB “da empresa” aplicado por sócio na conta dele é confusão fiscal. Use a corretora da empresa para o que é da empresa.
Como abrir conta PJ digital em 2026
O processo é 100% online, leva 5 a 15 minutos no celular e exige:
- CNPJ ativo e situação cadastral regular na Receita.
- Documento do sócio administrador: RG e CPF, ou CNH.
- Comprovante de endereço da empresa (no MEI pode ser o endereço residencial do empreendedor).
- Selfie para validação biométrica e verificação de prova de vida.
- Em alguns casos, contrato social ou CCMEI (Certificado de Condição de Microempreendedor Individual) — gerado direto no portal gov.br.
Nenhum dos digitais exige visita presencial. Aprovação típica em 24 a 72 horas; conta liberada para Pix em poucas horas após aprovação.
Perguntas frequentes
MEI precisa de conta PJ obrigatoriamente?
Legalmente, não. Operacionalmente, praticamente sim — recebimento via Pix com chave CNPJ, maquininha de cartão, emissão de NFS-e e crédito PJ todos exigem conta PJ na prática. Como existem opções gratuitas completas (Inter, Cora, Nubank PJ), o custo de ter é zero — então a discussão jurídica é menos relevante que a operacional.
Conta PJ digital é tão segura quanto banco tradicional?
Sim. Todos os bancos listados são regulados pelo Banco Central. Depósitos em conta corrente e aplicações em CDBs cobertas pelo FGC têm garantia de até R$ 250.000 por CNPJ por instituição (R$ 1 milhão por conglomerado a cada 4 anos). A segurança tecnológica de Inter, BTG, Stone e companhia é equivalente ou superior à dos bancos tradicionais — tem menos legado de TI vulnerável.
Posso ter mais de uma conta PJ?
Sim, sem restrição. Empresas com operação mais robusta frequentemente usam 2 a 3: uma principal (Inter ou Cora) para fluxo do dia a dia, uma para maquininha (Stone ou Inter Pag) e às vezes uma terceira (BTG ou Conta Simples) para tesouraria e gestão de despesa. Não há custo em manter múltiplas gratuitas ativas — o cuidado é não pulverizar a operação a ponto de perder visão consolidada do caixa.
A conta PJ rende mesmo sem fazer nada?
Em Inter, Cora, Nubank PJ, C6 PJ, BTG, Mercado Pago, Stone, Conta Simples e Banco Original: sim. O saldo é aplicado automaticamente em CDB de liquidez diária a 100–105% do CDI. Com CDI em ~14,40% a.a. em 2026, R$ 10.000 parados rendem aproximadamente R$ 1.200/ano sem qualquer ação. Em conta corrente de banco tradicional (Itaú, Bradesco, BB), saldo geralmente não rende — fica imobilizado.
O que acontece com a conta PJ se eu fechar a empresa?
Você precisa encerrar formalmente a conta PJ antes ou logo após dar baixa no CNPJ. Conta inativa com CNPJ baixado pode acumular tarifas residuais e gerar inscrição em órgãos de proteção ao crédito — chato e caro de resolver. Banco digital encerra pelo próprio app; banco tradicional exige presença ou termo assinado.
Posso receber em conta PF se sou MEI?
Pode, tecnicamente. Mas (a) clientes que pagam para CNPJ vão exigir chave Pix CNPJ, (b) maquininha não repassa para conta PF de CNPJ ativo, (c) Receita pode questionar movimentação de receita PJ na conta PF como receita não-declarada. O custo de manter conta PJ separada é zero — não há razão prática para insistir em PF.
Banco digital fica devendo dinheiro de cliente quando quebra?
O FGC cobre depósitos à vista e CDB até R$ 250.000 por CNPJ por instituição. Acima desse valor, há risco em qualquer banco — digital ou tradicional. Para empresa com saldo recorrente acima de R$ 250k, vale fragmentar em 2 a 3 instituições para aumentar a cobertura agregada. Para a maioria absoluta dos MEIs e PMEs, o saldo médio fica abaixo do limite e o risco é desprezível.
Vale a pena pagar Sicoob/Sicredi quando há gratuitos completos?
Vale especificamente quando o negócio depende de crédito subsidiado (BNDES, Finame, linhas para o agronegócio ou cooperativas regionais). A mensalidade é compensada pela taxa do crédito subsidiado mais barata que qualquer alternativa de mercado. Para empresa que não vai pegar esse crédito, é gasto desnecessário.
Veredito honesto datado — maio/2026
Para MEI puro com receita até R$ 81k/ano e poucas transações, Inter Empresas ou Cora cobrem 100% da operação a custo zero — Cora se o foco for cobrança polida, Inter se quiser plataforma completa com investimento integrado. Adicionar Stone ou Inter Pag se houver maquininha física com volume.
Para profissional liberal e ME com 3 a 10 funcionários, a combinação eficiente é Inter Empresas como conta principal + BTG Empresas como conta de tesouraria/câmbio quando aplicável. Conta Simples entra se a gestão de despesa de equipe consome tempo administrativo relevante.
Para ME e EPP com receita acima de R$ 200k/ano e gestão fiscal mais complexa, vale considerar Conta Azul (paga) substituindo ERP separado, ou manter Inter/BTG e contratar emissor de NF + ferramenta de conciliação à parte. Para porte médio em diante (R$ 1M+/ano), BTG Empresas começa a ganhar sobre os digitais generalistas pelo acesso à mesa de crédito real e à assessoria de tesouraria.
Para empresas grandes (R$ 5M+/ano) ou com necessidade de câmbio recorrente, a combinação BTG Empresas + banco grande tradicional (Itaú, Bradesco, Santander) para folha e câmbio cobre o que digital generalista não cobre — vale a tarifa.
O que não precisa entrar na decisão:
- Cashback do cartão como critério primário — é critério terciário, atrás de saldo render, taxa de maquininha e crédito disponível.
- Marca conhecida da PF — Nubank no PJ é menos completo que Inter ou Cora, apesar do app bonito. Não confunda experiência de PF com adequação de PJ.
- Indicação de amigo que “também é MEI” — o que serve para o consultor freelance solo não serve para a agência com 8 pessoas. Diagnóstico vale mais que indicação genérica.
Para projetar quanto o saldo de capital de giro vai render aplicado automaticamente ao longo dos próximos 5 ou 10 anos, a calculadora de juros compostos da casa resolve em segundos. E para entender onde aplicar saldos maiores que ficam parados, o comparativo de renda fixa pós-fixada de 2026 mostra o que cada produto entrega líquido.
Antes de abrir a conta PJ, vale conferir se você ainda precisa formalizar ou ajustar o registro do CNPJ. Para quem está nesse passo, o comparativo de plataformas para abrir PJ sem contador aponta o caminho mais curto. E se a sua decisão envolve transitar de CLT para PJ, o guia CLT vs PJ em 2026 faz a equação completa do trade-off — bem antes da escolha do banco.