Busque por termos como bitcoin, cartão ou VPN.
Investimentos

CDB, LCI e LCA: qual rende mais e quando cada um compensa

Comparativo CDB, LCI e LCA em maio de 2026 com Selic em 14,50% a.a.: matemática da isenção, tabela regressiva, FGC e o que muda na captação a partir de 1º de junho com a Resolução CMN 5.295/2026.

Atualizado em maio de 2026 · Selic em 14,50% a.a. · CDI em ~14,40% a.a. Conteúdo educativo, sem recomendação personalizada de investimento ou financeira. Indicadores e produtos citados refletem a data de publicação. Consulte um profissional habilitado antes de decisões patrimoniais.

Você abriu o app da corretora e está olhando para três produtos de renda fixa com nomes quase iguais: CDB, LCI, LCA. Os percentuais não batem — um oferece 110% do CDI, outro 95%, o terceiro 92%. Os prazos são diferentes. Um diz “isento de IR”, o outro não. E a sua dúvida é sempre a mesma: qual deles efetivamente rende mais para o que eu preciso?

A resposta curta é que nenhum dos três rende mais em abstrato. A comparação só faz sentido depois de três números: o percentual do CDI oferecido, o prazo até o seu caixa precisar do dinheiro e a alíquota de IR que cairia sobre o CDB no mesmo prazo. Sem essa conta, o “mais alto” no anúncio nem sempre é o “mais alto” no bolso.

Este artigo destrincha a matemática real, perfil por perfil, com a Selic em 14,50% a.a. — o cenário concreto de maio de 2026, com uma janela regulatória a registrar antes de junho.

Resposta direta (TL;DR)

Sua situaçãoVencedor típicoPor quê
Reserva de emergência (precisa do dinheiro em dias)Nenhum dos trêsLCI e LCA têm carência ≥ 9 meses; CDB de banco médio não tem liquidez. Use CDB liquidez diária 100% CDI ou Tesouro Selic
Sobra de R$ 5–50 mil para 12 mesesDepende do percentualLCI/LCA a 90%+ do CDI bate CDB 100% CDI em 12 meses (IR de 17,5% derruba o CDB para 82,5% líquido)
Sobra para deixar 2–5 anos sem mexerLCI/LCA na maioria dos casosAcima de 720 dias o IR cai para 15%, mas a isenção das LCx ainda vence quando o percentual é ≥ 85% CDI
Patrimônio acumulado, R$ 100k+Mix entre os trêsDiversificar emissores dentro do teto FGC (R$ 250k/CPF/instituição) é mais importante que escolher um único campeão
Fluxo de caixa irregularCDB pós-fixado curtoCarência da LCI/LCA é incompatível com chamada inesperada de caixa

Se você quer apenas o atalho, está aqui. Se você quer entender de onde vêm os números — e por que o “vencedor” muda quando o percentual oferecido sobe ou cai meio ponto — siga adiante.

Premissas e metodologia

Toda comparação entre produtos de renda fixa precisa fixar três variáveis antes de qualquer cálculo. Aqui estão as que valem para maio de 2026:

  • Selic meta: 14,50% a.a., definida pelo Copom em 29 de abril de 2026 (corte de 0,25 ponto percentual vindo de 14,75%, segundo movimento de afrouxamento no ciclo). Fonte: Banco Central — série SGS 432, consultada em 20/05/2026.
  • CDI: 14,40% a.a. — o CDI roda historicamente uns 0,10 ponto percentual abaixo da Selic. É a referência prática para precificar 100% das aplicações pós-fixadas privadas. Fonte: BC — série SGS 4389, dado de 19/05/2026.
  • IPCA acumulado 12 meses: 4,39% até abril/2026 (série SGS 13522). O juro real implícito da Selic está em torno de 9,7% a.a. — patamar historicamente elevado para o Brasil.
  • Tabela regressiva de IR (Receita Federal, válida para CDB, Tesouro Direto e qualquer renda fixa não-isenta):
    • Aplicações até 180 dias: 22,5%
    • De 181 a 360 dias: 20%
    • De 361 a 720 dias: 17,5%
    • Acima de 720 dias: 15%
  • IOF regressivo: incide sobre os rendimentos nos primeiros 30 dias da aplicação, em todos os três produtos. Somada a carência mínima das LCx, o IOF deixa de ser variável relevante na prática.
  • Carência mínima legal das LCx (Resolução CMN 5.119/2024): LCI pós-fixada e LCA têm prazo mínimo de 9 meses; LCI atrelada a IPCA, 12 meses. Antes da norma, eram 90 dias para ambas.
  • Garantia FGC: CDB, LCI e LCA são todos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos até R$ 250 mil por CPF e por instituição emissora, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Em caso de quebra, o pagamento sai em 30 a 60 dias úteis — o caso do Banco Master (liquidado em novembro de 2025) confirmou o funcionamento: até meados de fevereiro de 2026 o FGC já tinha pago 92% do total previsto a investidores dentro do teto.

A fórmula que move toda a comparação é uma só:

LCI/LCA equivalente = Taxa do CDB × (1 − alíquota de IR)

Em palavras: a LCI ou LCA isenta empata com um CDB cuja taxa bruta seja a taxa da LCx dividida por (1 − IR). Quando o IR é 15% (acima de 720 dias), a LCx isenta a 85% do CDI vale o mesmo, líquido, que um CDB a 100% do CDI. Toda a discussão de “qual rende mais” gira em torno dessa relação.

Produto a produto: o que é, onde mora, o que enxergar

CDB — Certificado de Depósito Bancário

O CDB é a forma mais antiga e direta de o banco captar dinheiro da pessoa física. Você empresta ao banco; ele usa para irrigar a carteira de crédito (cartão, financiamento, capital de giro de empresas). Em troca, paga uma taxa que pode ser pós-fixada (X% do CDI), prefixada (X% a.a. fechado) ou híbrida (IPCA + Y%).

Carência: varia muito por produto. Existem CDBs de liquidez diária (resgate em D+0 ou D+1 a qualquer momento), comuns em apps de banco digital, e CDBs de prazo fechado (30 dias a 6 anos), comuns em corretoras e bancos médios.

Tributação: IR regressivo na fonte, IOF nos primeiros 30 dias.

Onde encontrar em 2026:

  • Apps de banco digital (Nubank Ultravioleta, Inter, C6) — CDBs de liquidez diária a 100% do CDI, raramente acima. Aplicação mínima a partir de R$ 1.
  • Bancos médios com captação direta (Sofisa Direto, BMG, Daycoval, ABC Brasil, Pine, Pan) — CDB prefixado ou pós a 105–115% do CDI para prazos de 1 a 3 anos. Aplicação mínima a partir de R$ 100–500. Os percentuais mais altos saem em janelas específicas e em prazos mais longos.
  • Corretoras (XP, Rico, BTG, Avenue, Genial) — vitrine de CDBs de dezenas de emissores, ordenados por taxa, prazo e rating. É onde o investidor que já escolheu a estratégia vai pegar a melhor oferta naquela semana.

O que olhar antes de comprar: taxa em percentual do CDI (não em a.a.), prazo de carência e prazo de vencimento (não confundir os dois — alguns CDBs têm vencimento longo mas pagam juros antes), o emissor (rating de crédito de uma agência reconhecida) e o saldo do FGC para o seu CPF naquela instituição.

LCI — Letra de Crédito Imobiliário

A LCI é um título emitido pelos bancos para captar recursos destinados ao crédito imobiliário. Existe um lastro real do outro lado — uma carteira de financiamentos habitacionais — que dá origem a um benefício fiscal: a LCI é isenta de IR para pessoa física. Foi criada para baratear o crédito imobiliário e, na prática, também subsidia quem investe nela.

Carência: mínima legal de 9 meses para LCI pós-fixada e 12 meses para LCI atrelada a IPCA, conforme a Resolução CMN 5.119/2024. Antes da norma, eram 90 dias — quem comprava LCI esperando liquidez rápida ficou sem essa carta.

Tributação: zero IR sobre rendimentos para pessoa física. IOF regressivo nos primeiros 30 dias (irrelevante na prática, dada a carência).

Onde encontrar em 2026:

  • Bancos médios via corretora (XP, Rico, BTG, Modal) — LCIs a 90–98% do CDI para prazos de 12 a 24 meses são comuns em 2026.
  • Apps dos próprios bancos médios (Sofisa Direto, Inter, BMG) — costumam ter LCIs próprias com taxas competitivas para correntistas.
  • Banção tradicional (Itaú, Bradesco, Santander, BB) — LCIs disponíveis, mas em geral com taxas mais magras (80–88% do CDI). Vantagem: já tem conta lá.

O que olhar antes de comprar: o percentual do CDI (sempre líquido — porque é isento), a carência e o vencimento (LCI sem mercado secundário antes do vencimento é prisão de R$ se você precisar do dinheiro), o emissor e o teto do FGC.

LCA — Letra de Crédito do Agronegócio

A LCA é a prima da LCI: mesma estrutura, mesma isenção de IR, mesma cobertura do FGC. A única diferença é o lastro — em vez de financiamento imobiliário, o lastro é o crédito ao agronegócio. Foi criada pelo mesmo motivo: subsidiar um setor estratégico via incentivo ao captador.

Carência: mínima de 9 meses (CMN 5.119/2024).

Tributação: isenta de IR para pessoa física, igual à LCI.

Onde encontrar em 2026: mesmas casas que oferecem LCI — bancos médios via corretora, apps próprios, banção. As taxas, em geral, são muito próximas das de LCI no mesmo emissor e prazo, com leve vantagem para uma ou outra dependendo de quem o banco está captando para naquela semana.

Diferença prática para o investidor: quase nenhuma. Para fins de FGC, LCI e LCA do mesmo banco somam no teto de R$ 250 mil — você não duplica a cobertura comprando LCI e LCA da mesma instituição.

O que muda em 1º de junho de 2026 — Resolução CMN 5.295/2026

Tema novo desde a publicação original deste guia. Em 24 de abril de 2026 o Conselho Monetário Nacional aprovou a Resolução CMN 5.295/2026, que aperta a captação coberta pelo FGC após o caso Banco Master. As regras entram em vigor em 1º de junho de 2026, com implementação gradual até 2028. Três frentes interessam ao investidor de varejo.

  • Indicador de Ativo de Referência (AR): o BC passa a medir a qualidade e a liquidez da carteira de cada banco. Instituições com ativos mais ilíquidos ou de maior risco que captem muito via FGC terão de alocar parte do que captarem em títulos públicos federais. O percentual começa em 5% em julho/2026 e escala até 100% em julho/2028.
  • Contribuição adicional mensal: o limite para o banco entrar no regime de contribuição extra ao FGC cai de 75% para 60% da captação coberta. Em prática, bancos que dependem fortemente de FGC para captar pagarão uma alíquota maior — e tendem a repassar parte do custo via redução da taxa oferecida ao investidor.
  • Limite por CPF/instituição permanece em R$ 250 mil e o teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos não muda. A cobertura do investidor final não é afetada diretamente.

Impacto operacional na vitrine: a expectativa do mercado é que algumas das ofertas mais agressivas de CDB e LCI/LCA de bancos médios (110%+ do CDI) recuem nos meses seguintes a junho, à medida que esses bancos se ajustem à nova alíquota de contribuição. Não é motivo para correr — quem está estudando agora pode fechar antes do calendário com paz, mas é razoável incluir a janela na ponderação. A mudança torna o sistema mais sólido; é leitura que pesa a favor do investidor mesmo que reduza alguns prêmios na ponta.

A matemática da isenção: quando 85% bate 100%

Esta é a única seção que precisa de aritmética. A boa notícia é que a aritmética é simples — uma multiplicação por linha.

A pergunta operacional é: se eu tenho na frente uma LCI a X% do CDI e um CDB a Y% do CDI, no mesmo prazo, qual rende mais líquido? Resposta: aplique a fórmula.

Cenário 1 — Prazo de 2+ anos (IR do CDB = 15%)

  • CDB 100% CDI durante 2 anos → líquido equivale a 85% do CDI isento.
  • CDB 110% CDI (banco médio) → líquido equivale a 93,5% do CDI isento.
  • CDB 115% CDI (oferta agressiva de banco médio) → líquido equivale a 97,75% do CDI isento.

Conclusão prática: para horizonte de 2 anos ou mais, qualquer LCI/LCA acima de 85% do CDI vence o CDB do banção. Para superar um CDB de banco médio a 110%, a LCI precisa estar em 94%+ do CDI. Acima disso, o agronegócio ganha do mais alto CDB do mercado de varejo.

Cenário 2 — Prazo de 1 ano (IR do CDB = 17,5%)

  • CDB 100% CDI por 12 meses → líquido equivale a 82,5% do CDI isento.
  • CDB 110% CDI → líquido equivale a 90,75% do CDI isento.

Conclusão prática: em 12 meses, LCI/LCA a 90% do CDI já bate CDB de banco médio a 110%. A janela de superioridade da LCx é maior aqui — porque a alíquota de IR do CDB ainda é alta.

Cenário 3 — Prazo de 6 a 12 meses (IR do CDB = 20%)

  • CDB 100% CDI por 9 meses → líquido equivale a 80% do CDI isento.
  • CDB 110% CDI → líquido equivale a 88% do CDI isento.

Conclusão prática: nesta faixa, a LCx é quase sempre a melhor opção — desde que o investidor consiga fechar a carência. Como a carência mínima legal da LCI/LCA hoje é de 9 meses, o investidor que pode esperar exatamente esse prazo está no ponto ótimo.

Cenário 4 — Liquidez diária (CDB resgatável a qualquer momento)

LCI e LCA não competem aqui. Não existe LCx com liquidez diária — a carência mínima legal impede. O comparável real do CDB liquidez diária é o Tesouro Selic, com IR igual ao do CDB e marcação a mercado em D+1.

Para aprofundar a matemática com seus próprios números, a calculadora Comparador de Renda Fixa resolve a equivalência líquida em segundos. E o Rendimento do CDI mostra quanto cada percentual significa em reais sobre o aporte que você está pensando em fazer.

Cinco perfis e a escolha que cada um deveria fazer

Perfil 1 — começando a poupar, sem reserva de emergência ainda

Antes de escolher entre CDB, LCI e LCA, antes de qualquer comparação de percentual, este leitor precisa montar a reserva de emergência. Sem ela, qualquer aplicação de prazo fechado vira armadilha — basta um conserto inesperado de R$ 1.500 e o investidor é forçado a resgatar com prejuízo (LCx) ou pagar IR alto (CDB curto).

Decisão: 100% em CDB de liquidez diária a 100% do CDI no app do banco digital (Nubank Ultravioleta, Inter, C6) ou em Tesouro Selic via corretora. Acumular o equivalente a 6 meses do gasto familiar antes de pensar em LCI/LCA.

Quando a reserva chegar lá, este perfil vira o Perfil 2.

Perfil 2 — reserva pronta, aportes mensais regulares para horizontes de 3+ anos

Este é o leitor para quem a LCI/LCA foi desenhada. A reserva já está em CDB liquidez diária ou Tesouro Selic. O fluxo mensal é estável. O dinheiro novo pode esperar 9, 12, 24 meses sem afetar a vida.

Decisão: 60–70% em LCI/LCA com taxa entre 90% e 98% do CDI, prazo entre 12 e 24 meses, diversificada em pelo menos dois emissores (para distribuir o teto FGC). Os 30–40% restantes em Tesouro IPCA+ longo (prazo 5+ anos) para proteção contra inflação.

Perfil 3 — R$ 100k+ “estacionado para 1 ano”

Caso comum: férias sabáticas, entrada de imóvel daqui a 12 meses, troca de carro programada. O investidor sabe a data e o valor. O que precisa é maximizar líquido sem assumir risco de mercado.

Decisão: compare exatamente o que está na vitrine no momento da compra. Se aparece LCI a 95% do CDI por 12 meses, ela bate CDB do banção a 100% e empata com CDB de banco médio a 110%. Se só há CDB no menu, escolha emissor com FGC dentro do limite e prazo casado com a data-alvo. Não tenha medo do banco médio — o FGC paga, e o caso recente do Banco Master confirmou isso para quem ficou dentro do teto.

Perfil 4 — fluxo de caixa irregular, precisa de R$ 30k disponíveis em 30–90 dias

LCI e LCA estão fora. Carência mínima de 9 meses inviabiliza. Tentar vender no mercado secundário antes da carência custa um deságio de 5 a 10% — a economia da isenção evapora.

Decisão: 100% em CDB pós-fixado com liquidez diária ou D+1 (banção a 95–100% do CDI ou banco médio a 102–105% do CDI com cláusula de resgate antecipado), ou Tesouro Selic. A perda em rentabilidade vs LCI/LCA é o preço da liquidez — e é um preço justo para quem precisa do dinheiro disponível.

Perfil 5 — patrimônio R$ 500k+, foco em preservação

Aqui o problema deixa de ser “qual rende mais” e passa a ser “como diversificar dentro da renda fixa”. O teto FGC de R$ 250 mil por instituição é a principal restrição operacional.

Decisão: dividir o patrimônio em fatias de até R$ 240 mil por emissor (margem para juros antes do limite), espalhadas em 3 a 5 instituições. Mix entre LCI/LCA isenta (40–50% do total) para o que pode ficar parado por 12+ meses, CDB pós-fixado (30–40%) com vencimentos escalonados a cada 6 meses (escada de liquidez), e Tesouro IPCA+ (10–20%) para preservação de poder de compra no longo prazo. Liquidez emergencial fica em CDB liquidez diária ou Tesouro Selic, fora do mix de longo prazo.

Onde está a armadilha: quatro pegadinhas comuns em 2026

1. “LCI a 100% do CDI” com carência de 24 meses. Tecnicamente é a melhor LCI da vitrine. Operacionalmente é um CDB 117% CDI 24 meses preso — sem opção de resgate, sem mercado secundário decente. Sempre cruze percentual com prazo de carência. A LCx só é superior se você tem certeza de não precisar do dinheiro até a data.

2. “CDB com liquidez diária a 102% do CDI no banção.” Letra miúda costuma exigir aporte mínimo alto, restrição de resgate por janela horária, ou produto exclusivo para correntistas com saldo elevado. Antes de migrar a reserva, leia o regulamento e teste o resgate com R$ 100. Se o app demora 24h para liberar, a “liquidez diária” não é diária.

3. Mercado secundário de LCI/LCA. Existem corretoras que prometem comprar suas LCx antes do vencimento. Na prática, o deságio é de 5 a 10% do principal — você devolve toda a vantagem da isenção. Se há chance real de precisar do dinheiro antes da carência, não compre LCI/LCA. Use CDB pós-fixado com liquidez ou Tesouro Selic.

4. Concentração no mesmo emissor. R$ 250 mil em CDB Banco X + R$ 250 mil em LCI Banco X = R$ 500 mil expostos ao mesmo emissor. O FGC só cobre R$ 250 mil por CPF e por instituição, somando todos os produtos daquele banco. Diversificar é dividir entre instituições, não entre produtos da mesma instituição.

Carteira modelo por aporte mensal

Três cenários, três alocações. Cada um pressupõe a reserva de emergência já constituída em separado, em CDB liquidez diária ou Tesouro Selic.

R$ 500 por mês, horizonte de 5 anos

O ticket é pequeno demais para diversificar entre LCI/LCA e CDB de banco médio simultaneamente. Foco operacional, taxa razoável, simplicidade.

  • 70% em LCI ou LCA isenta a 90%+ do CDI, prazo 12 meses, do banco onde já tem conta (Inter, BTG, Sofisa). Renovar ao vencimento.
  • 30% em Tesouro Selic para flexibilidade de aporte mensal sem fricção.

Para entender quanto isso vira em 5 anos com aportes mensais regulares, a calculadora de Juros Compostos com Aportes faz a conta — e o artigo Quanto rende R$ 1.000 por mês faz a simulação completa.

R$ 2.000 por mês, horizonte de 10 anos

Já dá para diversificar emissores. A meta é maximizar o líquido sem concentrar risco.

  • 50% em LCI/LCA isenta a 92%+ do CDI, distribuída em 2–3 emissores, prazos escalonados (12, 18 e 24 meses) para gerar fluxo de vencimentos.
  • 30% em CDB pós-fixado de banco médio a 108%+ do CDI, prazo 24 meses, em emissor diferente dos das LCx.
  • 20% em Tesouro IPCA+ com vencimento em 10 anos, para ancorar o poder de compra contra a inflação no longo prazo.

R$ 5.000 por mês, horizonte de 15 anos

Aporte alto, prazo longo. A inflação acumulada é o risco principal — não o CDI no curto prazo.

  • 40% em LCI/LCA, em pelo menos 3 emissores, com vencimentos rolativos.
  • 30% em CDB de banco médio a 108–115% do CDI, vencimento 3 a 5 anos, em emissores distintos das LCx.
  • 30% em Tesouro IPCA+ com vencimento longo (15 a 20 anos) — a única forma de garantir um piso real de juros para a aposentadoria.

Para quem está começando do zero e tentando entender como a renda fixa se encaixa em uma carteira maior, o guia completo de renda fixa do mês a mês abre o panorama dos quatro produtos (Tesouro incluído). Este artigo aqui é o aprofundamento da fatia bancária do mix.

Dúvidas comuns

LCI ou LCA, qual rende mais?

No mesmo emissor e prazo, geralmente são quase idênticas. O mercado equilibra. O que muda é a janela de captação de cada banco — em algumas semanas a LCI sai um pouco mais alta, em outras é a LCA. Compre a que estiver melhor no dia, sem tentar identificar tendência estrutural.

LCI tem IOF?

Sim, IOF regressivo nos primeiros 30 dias, igual ao CDB. Como a carência mínima da LCI é de 9 meses, o IOF é zero na prática — você não consegue resgatar dentro dos 30 dias mesmo querendo.

LCI/LCA pode ser resgatada antes da carência?

Não pelo banco emissor. Há mercado secundário em algumas corretoras, mas com deságio (5–10% do principal) que devolve a vantagem da isenção. Se há chance real de precisar do dinheiro, escolha CDB pós-fixado com liquidez.

O que acontece se o banco emissor quebrar?

O FGC paga até R$ 250 mil por CPF e por instituição, somando todos os produtos cobertos do investidor naquele banco (CDB + LCI + LCA + poupança + LC + LIG). O pagamento sai em 30 a 60 dias úteis. Há um teto global de R$ 1 milhão a cada 4 anos por CPF. O caso recente do Banco Master, liquidado em novembro de 2025, confirmou o ritmo: 92% dos pagamentos liberados até meados de fevereiro de 2026 para quem estava dentro do teto.

Posso ter LCI no Inter e CDB no Nubank ao mesmo tempo?

Sim. O FGC cobre cada instituição separadamente até R$ 250 mil. Distribuir produtos entre bancos diferentes é exatamente a forma certa de aumentar a cobertura efetiva.

LCI ou Tesouro IPCA+, qual é melhor para 5+ anos?

Depende do prêmio do Tesouro IPCA+ no momento da compra. Com a Selic em 14,50% e a inflação implícita perto de 5,5%, um IPCA+ a 7% real (taxa contratual) bate uma LCI 95% do CDI no longo prazo se a Selic cair conforme o Focus. Se a Selic ficar alta por mais tempo, a LCI vence. Diversificar entre os dois é a saída honesta — você não sabe qual cenário vai prevalecer.

Vale comprar LCI de banco que nunca ouvi falar?

Vale, dentro do limite do FGC. O FGC existe exatamente para isso — desacoplar o risco do banco emissor da decisão do investidor de varejo. Limite a exposição a R$ 240 mil por instituição (margem para juros) e mantenha um histórico simples (planilha, app de carteira) de quanto tem em cada lugar.

Tenho R$ 50 mil para 18 meses. Vai para LCI 95% CDI ou CDB 110% CDI?

Em 18 meses, IR do CDB é 17,5%. CDB 110% do CDI vira líquido 90,75% do CDI. LCI a 95% do CDI bate por margem de 4,25 pontos. Vai para a LCI — desde que o emissor esteja dentro do FGC e a carência da LCI seja compatível com os 18 meses.

As novas regras de FGC de junho/2026 mudam o que vai para o meu bolso?

O limite de cobertura (R$ 250 mil por CPF/instituição) não muda. O que tende a mudar é a margem que bancos médios oferecem nas captações mais agressivas — algumas ofertas de 110%+ do CDI podem recuar nos meses seguintes a junho, à medida que esses bancos absorvam a nova alíquota de contribuição. Se você já tem aporte engatilhado, não é caso de correr; é caso de fechar com naturalidade antes do calendário, sem se afobar.

Veredito

O preço da pergunta “CDB, LCI ou LCA?” não é o percentual estampado na tela. É a sua capacidade de deixar o dinheiro parado pelo prazo certo. Quem pode esperar 12 meses ou mais sem mexer escolhe LCI/LCA acima de 90% do CDI quase sempre — a isenção mais a tabela regressiva do CDB inclinam a balança. Quem precisa de liquidez fica com CDB pós-fixado de banco digital ou Tesouro Selic, e aceita perder uma fração de rentabilidade em troca da disponibilidade do dinheiro.

Há um nicho onde o CDB de banco médio bate a LCx mesmo no longo prazo: quando o percentual oferecido passa de 115% do CDI em prazo de 2+ anos. Isso é raro, geralmente associado a bancos com captação mais cara — leia: maior risco de crédito, ainda que o FGC cubra. Se aparecer, encaixe no orçamento até R$ 240 mil por emissor e diversifique.

O que não pode acontecer é o leitor levar para casa a sensação de que “renda fixa é tudo igual”. Em 2026, com Selic em 14,50% e quase 15 pontos percentuais de juros nominais por ano em jogo, a diferença entre 80% líquido e 95% líquido do CDI é a diferença entre R$ 11.520 e R$ 13.680 ao final do ano sobre cada R$ 100 mil aplicados — R$ 2.160 que ficam no bolso ou na Receita.

Esse hiato existe porque os incentivos do governo isentam algumas carteiras (imobiliária, agronegócio) e porque a tabela regressiva do IR foi desenhada para empurrar capital para o longo prazo. Aproveitar é trabalho de leitor atento — não de quem aceita a primeira oferta do app. E, com a janela de 1º de junho à vista, é trabalho de leitor atento que não se confunde com pressa: o sistema vai ficar um pouco mais sólido, e quem está dentro do FGC continua coberto exatamente como antes.

#cdb #lca #lci #renda fixa