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Investimentos

ITUB4: análise completa do Banco Itaú em 2026 — a melhor ação de banco para ter na carteira?

Por · 13 min de leitura · · Atualizado em
ITUB4: análise completa do Banco Itaú em 2026 — a melhor ação de banco para ter na carteira?
Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui recomendação de investimento, assessoria financeira ou oferta de qualquer produto financeiro. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

O ITUB4 é a segunda maior empresa do Brasil por valor de mercado — R$ 506,73 bilhões em abril de 2026 — e o banco privado mais lucrativo do país. Com R$ 45,85 bilhões de lucro líquido nos últimos 12 meses, nunca registrou prejuízo anual desde sua listagem, e mantém ROE (retorno sobre patrimônio) consistentemente acima de 20%. Para muitos analistas, é a ação de banco mais segura do mercado brasileiro. Para outros, é precificada para a perfeição e oferece pouco upside. Esta análise apresenta os dados para você decidir.

Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui recomendação de investimento ou assessoria financeira. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

Ficha técnica — dados de abril de 2026

IndicadorValor
TickerITUB4 (PN) / ITUB3 (ON)
EmpresaItaú Unibanco Holding S.A.
SetorFinanceiro — Banco privado
Valor de mercadoR$ 506,73 bilhões
Lucro líquido 12mR$ 45,85 bilhões
Receita total 12mR$ 387,12 bilhões
ROE~22–23%
Nunca teve prejuízo anualSim (desde a listagem)
Critério Buy and HoldAprovado

Por que o Itaú é diferente dos outros grandes bancos brasileiros

O Itaú Unibanco é resultado da fusão de 2008 entre o Banco Itaú e o Unibanco — criando de uma vez o maior banco privado do hemisfério sul. Desde então, a gestão profissional, o foco em eficiência operacional e a disciplina na alocação de capital diferenciaram o banco dos concorrentes.

Três métricas que resumem essa diferença: índice de eficiência abaixo de 42% (cada R$ 1,00 de receita, gasta R$ 0,42 em despesas operacionais — um dos menores entre grandes bancos globais), ROE consistentemente acima de 20% mesmo em anos de recessão, e inadimplência controlada mesmo com carteira de crédito de mais de R$ 1 trilhão.

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O Bradesco (BBDC3/BBDC4), seu principal concorrente direto, passou por dificuldades em 2022–2024 com aumento de inadimplência em crédito pessoal e necessidade de provisões elevadas. O Itaú passou pelo mesmo período com resultados superiores — o que evidencia diferença real de gestão de risco de crédito.

Dividendos: o que o Itaú paga e como distribui

O Itaú distribui dividendos mensalmente — um diferencial em relação a ações comuns que pagam trimestralmente ou anualmente. A política é distribuir entre 25% e 35% do lucro recorrente como dividendos obrigatórios, com JCP (Juros sobre Capital Próprio) complementares ao longo do ano.

Em 2025, o banco distribuiu aproximadamente R$ 2,00–2,50/ação em proventos totais (dividendos + JCP). Com a ação em torno de R$ 35–38 (dependendo da data), o DY implícito ficou entre 5,5% e 7%. Não é o maior DY do mercado, mas é consistente e previsível — características que investidores de longo prazo valorizam.

O JCP (Juros sobre Capital Próprio) tem vantagem fiscal: a empresa deduz o valor pago como despesa financeira, reduzindo o IR corporativo. Para o investidor, o JCP é tributado em 15% na fonte — diferente dos dividendos, que são isentos no Brasil (mas há debate legislativo sobre mudança dessa regra).

ROE de 22–23%: o que isso significa

ROE de 22% significa que para cada R$ 100 de patrimônio líquido, o banco gera R$ 22 de lucro. Para um banco, que trabalha com alavancagem alta (emprestando muito mais do que tem em capital próprio), esse ROE é extraordinário e sustentável há mais de uma década.

Para comparação: o CDI em 2026 está em 14,65%. Um banco que gera ROE de 22% está criando valor de R$ 7,35 por R$ 100 de patrimônio além do custo de oportunidade do capital. Isso é o que justifica o P/L (preço sobre lucro) mais elevado que o Itaú negocia em relação a bancos com ROE menor.

P/L e valuation: está caro?

O Itaú historicamente negocia com P/L entre 9x e 13x o lucro. Com lucro de R$ 45,85 bilhões e valor de mercado de R$ 506 bilhões, o P/L implícito está em torno de 11x — dentro da banda histórica. Não está barato, mas também não está nos extremos de sobrevalorização.

A comparação internacional é favorável: bancos americanos de qualidade similar (JPMorgan, Wells Fargo) negociam a P/L de 12–15x. O Itaú a 11x, com ROE superior à média dos bancos globais, não parece precificado para a perfeição.

Riscos do ITUB4

Regulatório: bancos vivem sob regulação do Banco Central. Mudanças em regras de provisão, exigências de capital ou tributação de JCP afetam diretamente o lucro. O debate sobre taxação de dividendos e revisão das regras de JCP é recorrente no Congresso.

Ciclo de crédito: em recessões, a inadimplência sobe. O Itaú tem gestão de risco melhor que a média, mas não é imune. Em 2022–2023, as provisões para devedores duvidosos aumentaram significativamente em todo o setor.

Fintechs e desintermediação: Nubank, Inter e outros bancos digitais competem diretamente em produtos de crédito pessoal, cartões e contas correntes. O Itaú respondeu com o Iti e melhorias no app, mas a pressão na margem de produtos de varejo é real e estrutural.

Concentração em Brasil: diferente de bancos globais diversificados geograficamente, o Itaú tem exposição predominante ao Brasil. Uma crise econômica severa no país afeta proporcionalmente mais o banco.

ITUB4 vs BBAS3 vs BBDC4: a comparação que importa

BancoROEDY aprox.Risco específico
ITUB4 (Itaú)22–23%5,5–7%Regulatório, fintechs
BBAS3 (Banco do Brasil)18–20%8–10%Político, crédito rural
BBDC4 (Bradesco)12–15%5–6%Inadimplência, transformação

O Itaú tem o ROE mais alto mas o DY mais baixo — distribui menos porque reinveste mais em crescimento e em capital regulatório. O Banco do Brasil (BBAS3) tem DY maior porque distribui mais do lucro, mas carrega risco político de interferência governamental. O Bradesco está em processo de reestruturação que pode levar 2–3 anos para refletir nos resultados.

Para quem o ITUB4 faz sentido

Para o investidor que quer exposição ao setor financeiro brasileiro com menor volatilidade, histórico comprovado de resultados e gestão de alta qualidade. O ITUB4 é frequentemente descrito como “ação de viúva” do mercado brasileiro — não vai dobrar em 1 ano, mas dificilmente vai a zero e paga dividendos de forma consistente.

Não faz sentido para quem busca crescimento acelerado de capital (para isso, olhe para empresas menores com maior potencial de expansão) ou para quem quer DY maximizado (para isso, o BBAS3 ou alguns FIIs entregam mais).

Para construir uma carteira diversificada de ações, veja também as análises de BBAS3, WEGE3 e BBSE3.

Perguntas frequentes

ITUB4 ou ITUB3: qual comprar?

ITUB4 são ações preferenciais (sem direito a voto, mas com preferência no recebimento de dividendos). ITUB3 são ordinárias (com direito a voto). Para o investidor pessoa física focado em dividendos, ITUB4 é a mais negociada e com maior liquidez. A diferença de preço entre as duas costuma ser pequena.

O Itaú pode ter prejuízo algum dia?

Tecnicamente sim — nenhuma empresa é imune a crises extremas. Na prática, o Itaú passou por hiperinflação, plano Real, crise de 2008, pandemia de 2020 e ciclos de alta inadimplência sem registrar prejuízo anual. Isso não é garantia para o futuro, mas é histórico robusto.

O Itaú paga dividendos todo mês?

Sim, mensalmente via JCP (Juros sobre Capital Próprio). O valor varia mês a mês. Ao final do ano, podem ocorrer distribuições complementares de dividendos conforme o desempenho do exercício.

O Itaú no ciclo de alta de juros: como o banco se beneficia

Bancos em geral se beneficiam quando os juros sobem — porque o spread entre o que pagam nos depósitos e o que cobram nos empréstimos tende a aumentar. Mas esse benefício tem um contra: a inadimplência sobe quando famílias e empresas ficam com custo de crédito maior.

O Itaú navega esse trade-off melhor que a média por duas razões: sua carteira de crédito tem perfil mais conservador (menor exposição a crédito pessoal de alto risco, maior exposição a grandes empresas e clientes de alta renda), e seu sistema de gestão de risco é reconhecido como benchmark no setor.

Com Selic em 14,75% em abril de 2026, o Itaú reportou resultado recorde em 2025. O ambiente de juro alto que prejudica FIIs de tijolo e comprime consumo do varejo é o mesmo que sustenta as margens do banco.

Resultado financeiro vs resultado de intermediação

O lucro de R$ 45,85 bilhões do Itaú nos últimos 12 meses vem de duas fontes principais: a margem financeira bruta (diferença entre o que cobra nos empréstimos e o que paga nos depósitos/captações) e as receitas de serviços (tarifas, seguros, gestão de ativos, cartões). Ter as duas fontes é o que diferencia um banco de um fundo de crédito: em qualquer ciclo, uma das fontes tende a compensar a outra.

Em ciclo de alta de juros: margem financeira sobe, receita de serviços de crédito sobe, mas provisões para inadimplência também sobem. Em ciclo de queda: margem comprime, mas o crédito expande (mais gente e empresa tomam crédito), e as provisões caem.

Para o investidor de longo prazo, o Itaú é uma aposta na eficiência de um banco que sabe navegar esses ciclos melhor que a concorrência. Para entender como construir uma carteira balanceada incluindo bancos, FIIs e renda fixa, veja como montar sua primeira carteira de investimentos. E para comparar com outros pilares do setor financeiro, leia as análises de BBAS3 e BBSE3.

ON, PN e Unit: o que são e qual escolher

A maioria das ações brasileiras existe em mais de uma classe. Entender a diferença é essencial antes de comprar qualquer papel:

TipoCódigoO que éDireitos
Ordinária (ON)Termina em 3 — ex: ITUB3, BBAS3, PETR3, WEGE3, BBSE3Ação com direito a voto nas assembleias1 ação = 1 voto. Em caso de OPA (oferta pública de aquisição), garantia de tag along de 100% do preço pago ao controlador.
Preferencial (PN)Termina em 4 — ex: ITUB4, PETR4Ação sem direito a voto, mas com preferência no recebimento de dividendosPrioridade no pagamento de dividendos mínimos obrigatórios. Tag along de 80% (menor proteção em OPA). Geralmente mais negociada e com maior liquidez.
UnitTermina em 11 — ex: BPAC11, BBSE3*Certificado de depósito que representa um conjunto de ações ON e PNCombina direitos das duas classes. Cada Unit representa X ações ON + Y ações PN (proporção varia por empresa). Negocia como um único ativo.

*Atenção: nem todo código terminado em 11 é Unit — FIIs também terminam em 11 (ex: KNCR11, MXRF11). O contexto determina: se é fundo imobiliário, é cota de FII; se é empresa, é Unit ou ação de classe especial.

Para o investidor pessoa física que não quer votar em assembleia: na maioria dos casos, a ação PN (código 4) é a escolha mais prática — tem maior liquidez, spread menor entre compra e venda, e para quem não é acionista controlador, o direito a voto tem valor limitado no dia a dia.

Exceções importantes: empresas que só têm ON (como WEGE3 e BBAS3) — nesse caso, não há escolha. E em situações de OPA hostil ou reestruturação societária, as ações ON têm tag along de 100% versus 80% das PN — o que pode fazer diferença real no valor recebido.

ON, PN e Unit: o que é cada tipo de ação e qual comprar

Antes de comprar qualquer ação do mercado brasileiro, é essencial entender os três tipos que você vai encontrar — porque o mesmo sufixo numérico muda tudo sobre seus direitos como acionista.

SufixoTipoO que significaDireito a voto
3ON — Ação OrdináriaParticipação direta no capital. Dá direito a voto nas assembleias da empresa.Sim
4PN — Ação PreferencialPreferência no recebimento de dividendos em relação às ONs. Geralmente não tem direito a voto.Não (em geral)
11Unit (BDR ou ação composta)Certificado que representa um conjunto de ONs e PNs, ou um BDR (recibo de ação estrangeira). Combina características dos dois tipos.Depende da estrutura

Na prática para o investidor de varejo: como pessoa física, você geralmente não participa de assembleias — então o direito a voto das ONs não tem valor prático. O que importa é a liquidez (facilidade de comprar e vender sem impactar o preço) e o histórico de distribuição de dividendos.

Por isso, para a maioria das ações com ON e PN listadas, a preferencial (PN, sufixo 4) é a mais negociada e com maior liquidez — o que a torna a escolha mais comum para o pequeno investidor. Há exceções: algumas empresas têm a ON (sufixo 3) como a mais líquida, como é o caso do BBAS3 (Banco do Brasil), que só tem ações ordinárias.

O sufixo 11 aparece em dois contextos bem diferentes: em FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário), como MXRF11 e HGLG11, onde representa cotas do fundo; e em ações compostas ou BDRs, como BPAC11 (BTG Pactual) e ITSA4 (Itaúsa). No caso do BTG (BPAC11), o 11 representa uma unit formada por uma ON e duas PNs — é essencialmente uma ação “empacotada”.

ITUB3 vs ITUB4 vs ITUB11: qual a diferença no Itaú

O Itaú Unibanco tem três classes de ações listadas na B3:

  • ITUB3 — Ação Ordinária (ON): dá direito a voto nas assembleias. Menor liquidez que a ITUB4.
  • ITUB4 — Ação Preferencial (PN): sem voto, mas com preferência em dividendos. A mais negociada e com maior liquidez — é essa que aparece em índices e na maioria das carteiras.
  • ITUB11 — Unit (1 ON + 1 PN): combinação das duas classes. Tem liquidez menor, mas oferece tanto participação nos dividendos quanto direito a voto.

Para o investidor de varejo focado em dividendos, ITUB4 é a escolha mais comum — maior volume diário, menor spread entre compra e venda, e mesma participação nos resultados da empresa. ITUB3 faz sentido para quem quer voto; ITUB11 para quem quer as duas coisas numa única posição.

Os preços das três classes costumam ser muito próximos — qualquer diferença relevante é rapidamente arbitrada pelo mercado. A diferença principal está na liquidez e nos direitos, não no retorno financeiro.

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