O MXRF11 é o fundo imobiliário com mais cotistas do Brasil — 1,4 milhão de investidores. Essa popularidade cria uma percepção automática de qualidade, mas popularidade e qualidade não são a mesma coisa. Este artigo analisa o Maxi Renda com dados reais de abril de 2026, sem viés de youtuber de finanças: o que o fundo faz, o que entregou, onde estão os riscos e para quem ele faz sentido.
Ficha técnica — dados de abril de 2026
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Ticker | MXRF11 |
| Nome | Maxi Renda FII |
| Gestor | XP Vista Asset |
| Administrador | BTG Pactual |
| Tipo | Fundo de Papel — Híbrido |
| Cotação | R$ 9,78 |
| Valor Patrimonial por cota | R$ 9,49 |
| P/VP | 1,03 |
| DY 12 meses | 12,22% |
| Último dividendo | R$ 0,095/cota (abril/2026) |
| Patrimônio total | R$ 4,37 bilhões |
| Número de cotistas | 1.402.216 |
| Cotas emitidas | 460.269.520 |
| Liquidez diária | R$ 16,23 milhões |
| Taxa de administração | 0,90% ao ano |
| Vacância | 0% (fundo de papel, não aplicável) |
| CNPJ | 97.521.225/0001-25 |
O que o MXRF11 faz na prática
O Maxi Renda é um fundo de papel com mandato híbrido. Isso significa que ele investe principalmente em CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), mas também pode ter cotas de outros FIIs e posições em permutas financeiras.
A composição da carteira em 2026: 79,1% em CRIs, 11,8% em cotas de outros FIIs e 8,3% em permutas financeiras, com 0,8% em outros ativos.
Os CRIs da carteira são lastreados por operações de diferentes setores imobiliários. Alguns devedores históricos incluem: Shopping Itaquera, ArcelorMittal, Grupo Mateus, Mercado Livre, Assaí (Guarujá), Prevent Senior, Tecnisa e Buriti Empreendimentos. A diversificação de devedores é um ponto positivo — o risco não fica concentrado em um único emissor.
O fundo é gerido de forma ativa: o gestor decide continuamente quais CRIs comprar, vender ou manter, além de gerenciar o mix de indexadores (CDI vs IPCA).
Histórico de dividendos — consistência real
O MXRF11 manteve pagamento de R$ 0,10 por cota de maio de 2025 até março de 2026 — 11 meses consecutivos no mesmo patamar. Em abril de 2026 houve um corte de 5%, reduzindo para R$ 0,095/cota.
Esse histórico de distribuição é um dos mais estáveis do mercado de FIIs. O DY mensal atual (sobre cotação de R$ 9,78) é de 0,97% ao mês. Anualizado, isso representa 12,22% ao ano em rendimentos isentos de IR para pessoa física.
Nos últimos 5 anos, o fundo pagou um total acumulado de rendimentos que representa 71,50% de valorização ajustada — considerando reinvestimento dos dividendos.
| Período | Rendimento total (com reinvestimento) |
|---|---|
| 1 mês | 2,08% |
| 3 meses | 6,63% |
| 1 ano | 23,09% |
| 2 anos | 19,20% |
| 5 anos | 71,50% |
| 10 anos | 235,96% |
A comparação que realmente importa: MXRF11 vs benchmarks
Rentabilidade em janela de 2 anos (dados de 2026): quem investiu R$ 1.000 no MXRF11 há 2 anos tem hoje R$ 1.192. Parece bom — até você comparar com as alternativas:
| Ativo | R$ 1.000 investidos há 2 anos valem hoje |
|---|---|
| MXRF11 | R$ 1.192 |
| CDI | R$ 1.273 |
| IPCA | R$ 1.094 |
| Ibovespa | R$ 1.577 |
| IDIV (dividendos) | R$ 1.602 |
| IFIX (índice de FIIs) | R$ 1.141 |
| IVVB11 (S&P 500 BRL) | R$ 1.326 |
A conclusão objetiva: em 2 anos, o MXRF11 perdeu para o CDI, para o Ibovespa e para o IDIV. Ganhou do IPCA e ficou próximo do IFIX (índice de FIIs em geral). Para um investidor que teria colocado o mesmo dinheiro em renda fixa de alta liquidez, o retorno adicional do MXRF11 foi negativo.
Isso não significa que o fundo é ruim — significa que os últimos 2 anos foram um período em que a Selic elevada favoreceu a renda fixa e penalizou FIIs. Em outros ciclos, a relação se inverte.
P/VP 1,03 — o que significa comprar com prêmio
O MXRF11 negocia a R$ 9,78 enquanto seu valor patrimonial por cota é R$ 9,49. Você está pagando 3% acima do valor contábil dos ativos.
Para um fundo de papel, um P/VP levemente acima de 1,0 não é necessariamente alarmante — reflete o ágio pela liquidez, pelo histórico do fundo e pela gestão ativa. Mas significa que você está comprando sem margem de segurança em termos de desconto.
Historicamente, o P/VP do MXRF11 oscilou entre 0,96 (2021) e 1,07 (2024). O patamar atual de 1,03 está dentro da média histórica — não está caro nem barato pelo critério de P/VP.
Os riscos reais do MXRF11
Risco de queda dos juros: o MXRF11 se beneficiou da Selic alta. Se a taxa começar a cair de forma sustentada nos próximos 18 meses, os CRIs indexados ao CDI vão render menos, e os dividendos mensais devem diminuir. O corte de R$ 0,10 para R$ 0,095 em abril/2026 pode ser o início dessa tendência.
Risco de crédito nos CRIs: a carteira tem devedores de diferentes portes. Uma eventual inadimplência em CRI de maior peso pode forçar o fundo a provisionar perdas e reduzir distribuições temporariamente. Verifique no relatório gerencial mensal a classificação de risco de cada CRI.
Risco de concentração: embora a carteira seja diversificada entre devedores, a concentração em CRIs como tipo de ativo (79,1%) significa que o desempenho do fundo está intimamente ligado ao mercado de crédito imobiliário.
Risco de gestão: o MXRF11 é gerido pela XP Vista Asset. Uma troca de gestor ou mudança de estratégia pode alterar o perfil de risco do fundo sem aviso prévio ao investidor comum.
Para quem o MXRF11 faz sentido em 2026?
O MXRF11 é um fundo para quem quer renda mensal consistente com risco moderado em crédito imobiliário. Ele não é o fundo com maior potencial de valorização de cota — esse papel cabe aos fundos de tijolo em ciclos de queda de juros. Mas é um dos mais estáveis em termos de distribuição mensal.
Faz sentido para: investidor de perfil moderado que quer complementar renda, prefere previsibilidade de pagamentos mensais e entende que o rendimento pode cair se os juros caírem.
Não faz sentido para: quem quer maximizar retorno total no longo prazo — nesse caso, a história recente mostra que CDI e Ibovespa entregaram mais. Também não é indicado para quem tem horizonte curto (menos de 2 anos), pois oscilações de curto prazo são inevitáveis.
Se você está montando uma posição em FIIs de papel, vale comparar o MXRF11 com alternativas do mesmo segmento. Veja o comparativo detalhado em KNCR11 vs MXRF11: qual fundo de papel escolher em 2026.
Use a calculadora de FIIs para simular quanto você receberia mensalmente com diferentes valores investidos no MXRF11.
Perguntas frequentes sobre o MXRF11
MXRF11 é seguro?
É um dos FIIs mais líquidos e consolidados do Brasil — o que reduz o risco de liquidez. Mas como qualquer fundo de papel, tem risco de crédito dos CRIs e risco de redução dos rendimentos com queda de juros. Não existe FII “seguro” no sentido de garantido — todos têm risco de renda variável.
Qual o preço justo do MXRF11?
Usando P/VP como referência: o valor patrimonial por cota é R$ 9,49. Com P/VP histórico médio de ~1,0, o preço justo seria em torno de R$ 9,49–R$ 9,80. A cotação atual de R$ 9,78 está dentro dessa faixa.
O MXRF11 vai cortar mais dividendos?
Impossível afirmar com certeza. O corte de R$ 0,10 para R$ 0,095 em abril/2026 foi sinalizado pela gestora como reflexo do ambiente de mercado. Se a Selic começar a cair, há tendência de compressão adicional dos rendimentos. Acompanhe os relatórios gerenciais mensais para entender a direção da carteira.
Vale a pena comprar MXRF11 hoje?
Isso é uma decisão de investimento individual que depende do seu perfil, objetivos e composição atual da carteira. Do ponto de vista técnico: o fundo está com P/VP próximo da média histórica (sem desconto expressivo), rendimento ainda atrativo (12,22% a.a.) e histórico de consistência. Mas o ambiente de queda de juros esperada para 2026–2027 tende a pressionar os rendimentos. Não é recomendação de compra ou venda.
Como declarar MXRF11 no Imposto de Renda?
Os rendimentos mensais são isentos para pessoa física. As cotas devem ser declaradas em “Bens e Direitos” (código 73). Ganhos de capital na venda são tributados a 20%. Veja o guia completo em como declarar FIIs no Imposto de Renda 2026.
Conclusão: o que os dados dizem sobre o MXRF11 em 2026
O MXRF11 é um fundo bem estruturado, com gestora reconhecida, carteira diversificada de CRIs, liquidez excepcional e histórico de distribuição consistente. Esses são fatos — não opiniões. O que também é fato: nos últimos 2 anos, entregou retorno total abaixo do CDI e do Ibovespa, e acaba de cortar o dividendo mensal de R$ 0,10 para R$ 0,095 em abril/2026.
Para o investidor que quer renda mensal previsível e tolerância a risco moderado, o MXRF11 cumpre seu papel. Para quem quer maximizar retorno total e tem estômago para mais volatilidade, a história recente sugere que alternativas como fundos de tijolo ou ações de dividendo entregaram mais no mesmo período.
O erro mais comum com o MXRF11 é tratá-lo como se fosse renda fixa — ele não é. Os dividendos podem cair, a cota pode oscilar e o fundo pode tomar decisões de alocação que você não consegue controlar. Entendendo isso, ele é um componente válido de uma carteira diversificada. Tratando como garantia, é uma ilusão que vai decepcionar.
Para construir uma carteira completa de FIIs, leia também o que são FIIs e como funcionam, fundo de papel vs fundo de tijolo e o comparativo KNCR11 vs MXRF11.
Ficha resumida para decisão rápida
Para quem chegou direto nesta seção buscando uma resposta objetiva: o MXRF11 em abril de 2026 é um fundo de papel sólido, com boa liquidez, gestora respeitada e histórico de distribuição consistente. Negocia próximo do valor patrimonial (P/VP 1,03), paga DY de 12,22% ao ano isento de IR para pessoa física e acabou de reduzir levemente o dividendo mensal de R$ 0,10 para R$ 0,095. Não está barato nem caro pelo critério histórico. Faz sentido como componente de uma carteira diversificada de FIIs, mas não como única exposição ao mercado de renda variável.




