Atualizado em maio de 2026 · GARE11 a R$ 8,39 · DY 12m de 11,87%. Conteúdo educativo, sem recomendação personalizada de investimento. Consulte um profissional habilitado para decisões sobre o seu patrimônio.
O GARE11 entrega 11,87% de dividend yield. É um fundo de tijolo. Para quem está acostumado a ver fundo de tijolo no padrão dos grandes logísticos, esse número é fora da curva. Quase tudo que importa sobre o GARE11 está na pergunta “por que ele paga mais que o resto” — e a resposta não é mágica de gestão. É estrutura jurídica de contrato e tipo de imóvel. Quando alguém vende DY de tijolo dessa magnitude como prova de competência, está vendendo a roupa nova do imperador.
Este artigo desmonta o GARE11 peça por peça. Sem coachismo, sem “tese de longo prazo” vazia, sem você-merece-essa-renda. O fundo tem qualidades reais. Tem riscos reais. E está sendo negociado a R$ 8,39, com P/VP de 0,89, num dia em que a Selic Meta está em 14,50% — e isso muda tudo que você lê sobre ele.
TL;DR — ficha técnica de maio de 2026
| Indicador | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Ticker | GARE11 | — |
| Nome | Guardian Real Estate | — |
| Cotação | R$ 8,39 | Investidor10 |
| DY 12 meses | 11,87% | Investidor10 |
| P/VP | 0,89 | Investidor10 |
| Patrimônio Líquido | R$ 2,73 bilhões | Investidor10 |
| Liquidez diária (30d) | R$ 14,04 milhões | Investidor10 |
| Tipo | FII de tijolo — híbrido (logístico + renda urbana) | — |
| Selic Meta vigente | 14,75% a.a. | BCB SGS 432, 29/04/2026 |
| IPCA 12m (até mar/2026) | 4,14% | BCB SGS 433 |
Tradução em português direto: você compra cota a R$ 8,39, recebe rendimento mensal que somou 11,87% sobre essa cota nos últimos 12 meses, e está pagando 89 centavos por R$ 1,00 de patrimônio líquido contábil. O fundo tem imóveis físicos no portfólio — não é fundo de papel. Os contratos com inquilinos são longos e duros de quebrar. Aí mora o DY alto. E aí mora o risco.
Por que o DY do GARE11 é maior que o de fundos logísticos puros
Existe uma armadilha mental que muito investidor cai: comparar DY de fundos diferentes como se fossem o mesmo produto. O GARE11 paga 11,87%. O HGLG11 paga 8,41%. Conclusão preguiçosa: GARE11 é melhor. Conclusão correta: são fundos diferentes, com riscos diferentes, e o mercado está precificando essa diferença.
O GARE11 mistura duas coisas. Galpões logísticos — categoria que o HGLG11 também faz — e imóveis de renda urbana. Renda urbana, na linguagem do mercado, significa imóveis comerciais com inquilino dedicado: agência bancária, posto de combustível, loja de varejo de rede, ponto comercial específico. São imóveis que foram feitos ou adaptados para um inquilino específico, com contrato longo, multa pesada de saída.
Esse tipo de imóvel paga mais aluguel proporcional ao valor do imóvel. Por dois motivos. Primeiro, o inquilino comprometeu prazo longo (10, 15, 20 anos) e não pode sair facilmente — o fundo cobra prêmio de prazo. Segundo, a saída do inquilino normalmente deixa o imóvel pouco utilizável para outro fim, então o aluguel embute prêmio pelo risco de obsolescência. É o mesmo princípio de um título de crédito longo num emissor único: paga mais porque o credor está aceitando mais risco específico.
O HGLG11, em contraste, tem galpões logísticos genéricos. Saiu o inquilino, entra outro de e-commerce. O contrato típico é mais comum, o aluguel é menor, e a vacância é mais provável mas menos catastrófica. O DY é menor porque o risco específico é menor.
O que é contrato atípico — e por que isso muda o jogo
Aqui está a peça central do GARE11 que quase nenhum vídeo de YouTube de FII explica direito. No Brasil, contrato de aluguel comercial vem em duas formas básicas.
Típico: regido pela Lei do Inquilinato. Inquilino pode rescindir com 30 dias de aviso e multa proporcional a 3 meses de aluguel. Ou seja, o “contrato de 5 anos” do anúncio é, na prática, um contrato com escape barato. Para o fundo, isso significa receita imprevisível.
Atípico (BTS — Built to Suit, ou Sale & Leaseback): contrato negociado livremente, fora da Lei do Inquilinato. A multa por rescisão antecipada equivale ao saldo dos aluguéis até o fim do contrato. Numa multa BTS de 10 anos com aluguel de R$ 100 mil/mês, sair no primeiro ano custa R$ 10,8 milhões. Inquilino corporativo sério não sai. Fica até o fim, ou compra de volta o imóvel num evento societário.
O GARE11 é majoritariamente atípico. Isso é o que sustenta o DY de 11,87%. Não é “genialidade da gestora”. É contrato. Os imóveis foram comprados ou construídos com inquilino contratado por uma década ou mais, em condições que tornam a saída inviável.
O que isso significa pra você: enquanto os contratos estão correndo, a renda é previsível e alta. Quando os contratos vencem, o jogo recomeça. Aí a qualidade do imóvel, a qualidade da localização e o estado da economia decidem se renova nos mesmos termos, renova com desconto ou não renova. O risco do GARE11 não é mensal. É o calendário de vencimento de contratos.
P/VP de 0,89: oportunidade ou aviso?
O GARE11 está sendo negociado por 89% do valor patrimonial. Em fundo de tijolo brasileiro de qualidade decente, esse desconto é relevante. Para entender o que ele significa, ajuda separar três hipóteses.
Hipótese 1 — desconto de Selic alta. Com Selic Meta em 14,50%, qualquer fundo de tijolo sofre. A taxa básica está pagando mais que muitos imóveis pagam de aluguel. O mercado precifica fundos de tijolo abaixo do VP enquanto o juro estiver onde está. Quando a Selic cair, esse desconto tende a fechar. Nessa hipótese, P/VP 0,89 é oportunidade cíclica.
Hipótese 2 — desconto de risco específico. O mercado está precificando que alguns contratos atípicos do GARE11 podem não renovar nos mesmos termos. Imóvel de agência bancária em cidade pequena, posto de combustível em rota perdendo fluxo, loja de varejo numa cadeia em estresse. Nessa hipótese, parte do desconto é justificado pela qualidade real do portfólio futuro.
Hipótese 3 — desconto de informação. O fundo é menos coberto que os grandes do segmento logístico. O investidor médio não entende a mecânica de atípico vs. típico. Por preguiça ou por ignorância, paga menos. Nessa hipótese, o desconto fecha quando o fundo ganha tração analítica.
A verdade prática é que as três hipóteses são parcialmente verdadeiras ao mesmo tempo. Não dá pra atribuir 100% do desconto a um único fator. Mas dá pra perguntar o que precisa acontecer pra você ganhar dinheiro com esse desconto: ou Selic cair, ou os contratos renovarem bem, ou o fundo ganhar visibilidade. Se você acha pelo menos um desses três cenários provável, o desconto trabalha a seu favor. Se acha os três improváveis, o desconto pode ser permanente.
Decisões práticas: quando o GARE11 cabe e quando não cabe
Em vez de listar “perfis recomendados” abstratos, vamos a cenários concretos.
Cabe se: você já tem fundo logístico puro (HGLG11, BTLG11, XPLG11) na carteira e quer adicionar um fundo de tijolo com DY mais alto e estrutura de contrato diferente. O GARE11 não substitui um fundo logístico — ele complementa, porque a tese de renda urbana vence e perde em momentos diferentes da tese de e-commerce/logística.
Cabe se: você está construindo carteira para renda mensal acima da inflação, tem horizonte de 7 a 10 anos, e aceita que parte do DY pode comprimir quando contratos vencerem. O GARE11 paga bem hoje. Vai pagar bem nos próximos anos enquanto os contratos vigentes correrem. Você precisa estar disposto a reavaliar daqui a 3 a 5 anos quando o calendário de vencimentos começar a se materializar.
Não cabe se: você quer fundo de papel substituto — alguém que confunde GARE11 com KNCR11 ou MXRF11 está comprando outra coisa. GARE11 é tijolo. Tem volatilidade de cota maior, não tem CDI embutido na receita, e o DY pode oscilar mais.
Não cabe se: você quer carteira simples, dois ou três FIIs, “esquecer e receber”. GARE11 exige acompanhamento semestral do relatório gerencial — você precisa ler quem são os principais inquilinos, quanto tempo falta nos contratos atípicos e como está o pipeline de novas aquisições. Se isso parece trabalho demais, pegue um fundo logístico genérico ou um fundo de papel CDI.
Não cabe se: você está enxergando o DY de 11,87% como “renda passiva garantida”. Não é. Em fundo de tijolo, DY de 12 meses é um espelho retrovisor. Mostra o que aconteceu, não o que vai acontecer.
GARE11 vs HGLG11 vs KNRI11: comparação direta
| Indicador | GARE11 | HGLG11 | KNRI11 |
|---|---|---|---|
| Cotação | R$ 8,39 | R$ 156,62 | R$ 166,37 |
| DY 12m | 11,87% | 8,41% | 7,52% |
| P/VP | 0,89 | 0,95 | 1,00 |
| Patrimônio Líquido | R$ 2,73 bi | R$ 7,03 bi | R$ 4,61 bi |
| Liquidez diária (30d) | R$ 14,04 M | R$ 15,89 M | R$ 6,27 M |
| Tipo | Híbrido (logístico + renda urbana) | Logístico | Híbrido (logístico + corporativo) |
Todos os números acima foram puxados em tempo real do Investidor10 nesta sessão (28/04/2026). O GARE11 não é melhor nem pior que HGLG11 ou KNRI11 — é diferente. O HGLG11 é a tese mais limpa de e-commerce e logística no Brasil. O KNRI11 mistura logística com lajes corporativas — DY mais comprimido reflete o risco de vacância em corporativo. O GARE11 troca esse risco por risco de renda urbana — mais previsível no curto prazo, mais incerto no longo.
Para uma carteira de tijolo que vise renda mensal mais alta, faz sentido combinar mais de um. Cada um cobre uma tese. Para uma carteira mais simples, escolha um — e GARE11 é o mais arriscado dos três se você não acompanha os relatórios.
Os 4 números que você precisa olhar no relatório gerencial
Quem leva GARE11 a sério sem ler o relatório mensal está apostando, não investindo. A boa notícia é que dá pra reduzir o trabalho a 4 verificações objetivas, todas disponíveis no documento que a gestora publica todo mês.
1. Prazo médio remanescente dos contratos atípicos. Se está acima de 7 anos, o fundo tem horizonte. Se está caindo abaixo de 5, comece a se preocupar com o calendário de vencimentos. O número precisa ser comparado mês a mês — está crescendo (gestora renovando ou comprando novos imóveis) ou está caindo (apenas correndo o relógio dos contratos antigos)?
2. Concentração nos 5 maiores inquilinos. Se um único inquilino vale mais de 20% da receita, é risco específico relevante. Numa carteira saudável, nenhum inquilino passa de 15%. Verifique também a qualidade dos inquilinos — banco grande tem balanço público, varejista tem rating de crédito; se aparecer empresa de capital fechado pequena no top 5, o risco aumenta.
3. Vacância física vs vacância financeira. Vacância física é a área parada. Vacância financeira é a porcentagem de aluguel não recebido (inclui inadimplência e descontos negociados). Em fundo de atípicos, vacância física baixa não significa nada se houver inadimplência ou renegociação por baixo. Os dois números precisam estar baixos.
4. Resultado distribuível por cota vs distribuição efetiva. A regra é que FII distribui pelo menos 95% do resultado em caixa. Mas alguns fundos distribuem mais que isso usando reserva, ou menos por estarem retendo. Se a distribuição está acima do resultado por mais de dois trimestres seguidos, o fundo está consumindo reserva — e o DY atual é insustentável.
Esses 4 números cabem em 5 minutos de leitura por mês. É o mínimo absoluto pra dormir tranquilo com GARE11 na carteira.
O risco que ninguém comenta: imóvel de inquilino único virando ativo morto
Parte relevante da renda urbana brasileira é agência bancária e posto de combustível. Bancos historicamente alugaram milhares de pontos físicos no país inteiro pra rede de atendimento. Esses contratos são em regra atípicos, longos, com inquilino corporativo de alto rating. É o sonho do gestor de FII de renda urbana.
Só que o número de agências bancárias no Brasil cai estruturalmente. Os grandes bancos fecham agências sistematicamente, migrando atendimento pra digital. Esse movimento é público, está em todos os relatórios anuais dos bancos listados, e não vai parar.
O que isso significa pra fundos com exposição alta a agência bancária: quando o contrato atípico vence, o banco frequentemente não renova. Não porque o banco tem problema — porque a estratégia mudou. O imóvel volta pro fundo desocupado. Aí começa o difícil: agência bancária em cidade pequena, com fachada e layout específicos de banco, é caro de adaptar pra outro uso. Posto de gasolina é parecido — precisa licença, infra, e nem todo terreno serve.
O GARE11 tem exposição a esse setor. A pergunta é o quanto, e o quanto desses contratos vence nos próximos 3 a 5 anos. O relatório gerencial responde. Se a exposição for relevante e os vencimentos forem próximos, o desconto de P/VP de 0,89 talvez não seja tão exagerado quanto parece.
Não é argumento pra fugir do fundo. É argumento pra olhar o portfólio com olho de quem entende o que está comprando. Imóvel logístico moderno em rota de e-commerce tem demanda crescente. Agência bancária em cidade de 50 mil habitantes tem demanda decrescente estrutural. O fundo é a média ponderada disso.
Liquidez de R$ 14,04 milhões por dia: o que significa na prática
O GARE11 tem liquidez diária de R$ 14,04 milhões (média 30 dias, dado do Investidor10 puxado nesta sessão). Para fundo de tijolo, está acima da média do segmento.
Pra investidor pessoa física, importa por dois motivos. Primeiro, você consegue entrar e sair sem mover o preço. Compra de R$ 5 mil, R$ 50 mil ou R$ 500 mil cabe sem “comer” o spread bid/ask. Em fundo pequeno, com R$ 500 mil/dia de liquidez, ordem de R$ 100 mil já desloca o preço — e você compra ou vende mal.
Segundo, alta liquidez é sinal de base de investidores diversificada. Não é fundo dominado por dois ou três grandes investidores — tem milhares de pessoas comprando e vendendo todo dia. Isso reduz o risco de movimentos abruptos por uma decisão de um único cotista grande.
Não é “qualidade do fundo” — é qualidade da estrutura de mercado em torno do fundo. Mas pra investidor pessoa física que pode precisar do dinheiro de volta, importa.
Como funciona o aluguel atípico na mecânica do dia a dia
Pra concretizar, vamos a um exemplo simplificado. O GARE11 compra um galpão logístico em Cajamar/SP por R$ 100 milhões. Esse galpão foi construído sob medida pra uma operadora de e-commerce, contrato atípico de 10 anos, aluguel mensal de R$ 800 mil (R$ 9,6 milhões/ano, ou 9,6% sobre o valor do imóvel).
Por 10 anos, o fundo recebe R$ 800 mil/mês desse imóvel. Se a operadora quiser sair no ano 3, paga multa equivalente ao saldo dos 7 anos restantes — R$ 67,2 milhões. Inviável. Então fica.
No ano 10, o contrato vence. Aí a operadora decide: renovar (em quais termos?), comprar o imóvel (com qual desconto?) ou sair. Se sair, o fundo precisa relugar o galpão. Em rota logística boa, isso leva poucos meses e o aluguel pode até subir. Em localização mediana, pode ficar vazio por mais tempo, e o aluguel novo vem mais baixo.
Esse é o momento da verdade do contrato atípico. Por 9 anos e 11 meses, o fundo entregou previsibilidade premium. No mês 1 do ano 11, o fundo precisa provar que o imóvel tem valor de mercado — não só valor contratual. Ler o calendário de vencimentos do GARE11 é ler o calendário desses momentos da verdade.
Selic em 14,50%: o que o cenário macro faz com o GARE11
A Selic Meta vigente é 14,50% (BCB SGS 432, 29/04/2026). Esse é número punitivo pra qualquer fundo de tijolo, por dois canais.
Canal 1 — competição de renda fixa. Com Selic onde está, instrumentos de renda fixa atrelados ao CDI (CDB, Tesouro Selic, fundos DI) entregam retorno bruto próximo do CDI anualizado, que está em 14,40% (calculado a partir do CDI diário de 27/04/2026, série BCB SGS 11). O investidor olha e pergunta: por que correr risco de tijolo a 11,87% quando o livre de risco entrega quase isso sem volatilidade?
A resposta correta é que o DY de FII é isento de IR pra pessoa física no rendimento mensal — então 11,87% líquido se compara a CDI bruto descontado o IR (15% a 22,5% conforme prazo). E que o fundo de tijolo carrega prêmio de inflação no longo prazo, porque os aluguéis são reajustados por índice de preços. Mas no curto prazo, com Selic alta, a competição machuca o preço da cota.
Canal 2 — custo de capital de novas aquisições. O fundo cresce comprando imóveis. Em ambiente de juro alto, aquisições com endividamento ficam mais caras, e novas emissões de cotas precisam ser feitas com desconto pra atrair capital. Fundos sem fôlego de aquisição em juro alto ficam parados — só correm os contratos vigentes.
Quando a Selic começar a cair, os dois canais se invertem. Renda fixa fica menos atrativa relativa, fundo de tijolo se valoriza, novas aquisições ficam viáveis. É a tese central de quem compra fundo de tijolo com Selic alta: comprar antes do giro.
Não é certeza. Selic pode ficar alta por mais tempo do que o mercado espera. Mas o GARE11 a R$ 8,39 com P/VP 0,89 já tem boa parte do cenário pessimista embutido. O risk-reward depende do quanto e quando a Selic se mover.
Perguntas frequentes
O DY de 11,87% do GARE11 é sustentável?
No curto e médio prazo, sim — enquanto os contratos atípicos atuais estiverem vigentes. No longo prazo, depende da renovação desses contratos. Quanto mais distante o vencimento médio, mais sustentável o DY. Verifique esse número no relatório gerencial mensal antes de assumir continuidade.
GARE11 é fundo de papel ou de tijolo?
Tijolo. Tem imóveis físicos no portfólio — galpões logísticos, agências bancárias, lojas de varejo, postos de combustível. Não confundir com fundos de papel (KNCR11, MXRF11, KNIP11) que investem em CRIs. A natureza do risco é completamente diferente.
Vale a pena comprar GARE11 com Selic em 14,50%?
Depende da expectativa pra Selic à frente. Se você acredita que a Selic cai nos próximos 12 a 18 meses, o desconto atual de P/VP 0,89 é assimétrico a seu favor. Se acredita que a Selic fica alta por muito tempo, o desconto pode persistir. Não há resposta universal — depende da sua leitura macro e do seu horizonte de investimento.
Como declarar GARE11 no Imposto de Renda?
Cotas em Bens e Direitos, código 73, com CNPJ do fundo. Rendimentos mensais isentos para pessoa física que tenha menos de 10% das cotas (condição amplamente atendida). Ganho de capital na venda tributado em 20%, com DARF até o último dia útil do mês seguinte à venda.
Posso ter GARE11 e HGLG11 na mesma carteira?
Sim, e faz sentido. Os dois cobrem teses diferentes — HGLG11 é logística pura, GARE11 é híbrido com renda urbana. Combinados, reduzem a correlação dentro da parcela de tijolo. Uma proporção razoável é dividir igual, ajustando depois conforme evoluem os relatórios.
Quanto preciso pra começar no GARE11?
A cota está a R$ 8,39 — uma das mais baratas entre FIIs grandes. Com R$ 100 dá pra comprar 11 cotas. A decisão não é “cabe no bolso”, é “cabe na carteira”. Use a calculadora de FIIs pra simular o impacto na sua renda mensal.
Veredito
O GARE11 a R$ 8,39 é um fundo competente, com mecânica de contrato atípico que justifica o DY de 11,87%, sendo negociado com 11% de desconto sobre o patrimônio (P/VP 0,89) em ambiente de Selic Meta de 14,50%. Tem três coisas a seu favor: estrutura jurídica que sustenta a renda no curto prazo, liquidez diária acima da média do segmento de tijolo (R$ 14,04 milhões pelos dados do Investidor10), e posicionamento numa tese híbrida que não compete diretamente com os fundos logísticos puros.
Tem três coisas a vigiar: calendário de vencimento dos contratos atípicos (especialmente nos próximos 3 a 5 anos), exposição a setores em retração estrutural (agência bancária, postos de combustível em rota de obsolescência) e sensibilidade ao ciclo de Selic — o desconto atual fecha quando o juro cair, mas o juro pode demorar a cair.
Não é o fundo de tijolo “melhor” do mercado. Não existe esse fundo. É um fundo que cabe numa carteira diversificada de tijolo como complemento, não como pilar único. Pra investidor que aceita ler o relatório gerencial uma vez por mês e entender o que está vendo, o GARE11 entrega um yield acima da média sem ser uma promessa vazia. Pra investidor que quer simplicidade absoluta e não vai abrir relatório nenhum, fundo logístico puro ou fundo de papel são escolhas mais honestas.
Como sempre — e isso vale pra qualquer FII, qualquer ação, qualquer ativo — a decisão é sua, com seus números, no seu horizonte. Use a calculadora de FIIs pra simular cenários, leia o guia de FIIs para renda mensal em 2026 pra entender como o GARE11 se encaixa numa carteira completa, e consulte o regulamento do fundo na CVM antes de qualquer decisão. Os relatórios gerenciais da gestora estão no site dela e na CVM — leia, pelo menos, os 4 indicadores que listamos acima.
O GARE11 não é um milagre nem uma armadilha. É um fundo de renda urbana com mecânica clara, riscos claros, e preço atual que reflete um cenário macro pesado. Se você entende o que está comprando, é instrumento útil. Se não entende, é qualquer outra coisa.